Lula e Trump se reuniram por quase três horas na Casa Branca nesta quinta-feira, no primeiro encontro oficial entre os dois presidentes em solo americano. Tarifas e comércio dominaram a pauta, segundo o próprio Trump.
Ao final, a declaração conjunta que os dois líderes fariam no Salão Oval foi cancelada sem explicação oficial. Lula deve falar com jornalistas na embaixada brasileira em Washington.
Trump elogia Lula e sinaliza novas rodadas bilaterais
Logo após o encontro, Trump publicou na Truth Social que havia se reunido com “o dinâmico presidente do Brasil”. Afirmou que discutiram “diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas” e que a conversa foi “muito boa”. O presidente americano também indicou que representantes dos dois países terão novos encontros para aprofundar a agenda bilateral.
Lula chegou à Casa Branca por volta de 12h20 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump diante da residência oficial. Em seguida, o americano levou o brasileiro a um tour pelo exterior do palácio, onde ficam retratos de todos os presidentes dos EUA. Imagens do momento mostram os dois rindo diante dos quadros.
Almoço, delegações e a coletiva cancelada
A agenda incluiu almoço formal. No cardápio: salada de alface-romana com gomos de laranja e abacate, bife grelhado com purê de feijão-preto e mini pimentões, e pêssegos caramelizados com torta de panna cotta e sorvete de crème fraîche.
Pelo lado brasileiro, Lula foi acompanhado pelos ministros de Desenvolvimento, Minas e Energia, Fazenda, Justiça e Relações Exteriores. A delegação americana incluiu o vice J.D. Vance, a chefe de gabinete Susie Wiles, os secretários de Comércio e do Tesouro e o representante comercial Jamieson Greer.
A coletiva conjunta prevista foi cancelada sem motivo informado. A pedido da delegação brasileira, o protocolo foi invertido — reunião antes da imprensa —, decisão tomada após Lula demonstrar incômodo em encontro similar na Malásia, em outubro de 2025, quando interrompeu perguntas de repórteres antes da bilateral ocorrer.
O que cada lado buscava no encontro
O governo Lula chegou à reunião com duas prioridades: evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros e avançar numa parceria de combate ao crime organizado. A delegação queria apresentar um plano contra lavagem de dinheiro e tráfico de armas, elaborado pelo Itamaraty, pelo Ministério da Justiça e pela Receita Federal.
A iniciativa visa se antecipar a uma possível designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos EUA — medida que o Planalto teme abrir espaço para interferências americanas em território nacional, nos moldes dos ataques a embarcações venezuelanas em 2025.
Do lado americano, Trump quer reduzir o preço da carne — área em que o Brasil é protagonista global — e garantir acesso às reservas brasileiras de minerais críticos. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, essenciais para tecnologia e transição energética. O governo Lula, porém, já sinalizou que não pretende se tornar fornecedor exclusivo de nenhuma nação.
O encontro havia sido adiado desde março, e a própria diplomacia brasileira descrevia a visita como “mais um ponto de partida do que um ponto de chegada”, dado o acúmulo de atritos envolvendo tarifas, PIX e o caso Ramagem. A agenda negociada pelas equipes incluía ainda etanol e Venezuela — pauta extensa que Trump confirmou apenas parcialmente ao citar “comércio e tarifas” em seu post.
