Política

Lula revela que Trump descartou invasão de Cuba em reunião na Casa Branca

Presidente brasileiro também se ofereceu para mediar diálogo entre Washington e Havana sobre o embargo americano
Lula relata que Trump descarta invasão Cuba em reunião diplomática na Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta quinta-feira (7) que Donald Trump afirmou, durante o encontro dos dois na Casa Branca, que não tem intenção de invadir Cuba.

Lula disse ter se colocado à disposição de Trump para mediar um diálogo com Havana — e informou que Cuba quer encontrar uma saída para o embargo americano.

Cuba não estava na pauta oficial da visita, que previa discutir tarifas, PIX e etanol. O tema entrou na conversa por iniciativa do presidente brasileiro.

O encontro foi realizado no formato de “visita de trabalho” — modalidade menos protocolar do que uma reunião bilateral formal. A pauta oficial previa discutir tarifas, PIX, etanol e a situação na Venezuela, mas Lula levou o tema de Cuba à conversa com Trump. Fontes da diplomacia brasileira avaliaram a visita como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, tensionadas por tarifas norte-americanas e sanções a autoridades nacionais.

Pressão econômica dos EUA sobre Cuba

Mesmo descartando ação militar, o governo Trump mantém forte pressão econômica sobre Havana. Nos últimos meses, Washington interrompeu as remessas de petróleo da Venezuela a Cuba — há muito tempo o principal fornecedor do país — e passou a ameaçar com sanções qualquer nação que abastecesse a ilha.

Diante desse cenário, Lula transmitiu a Trump a posição cubana: o país quer diálogo e uma solução para o embargo americano, que pesa sobre a economia cubana há décadas.

Antes do encontro presencial, os dois presidentes já haviam conversado por telefone no dia 1º de maio. O governo brasileiro descreveu a ligação como “amistosa” — um sinal de distensão diplomática antes da visita a Washington.

Na mesma coletiva, Lula reconheceu diferenças profundas com Trump sobre conflitos internacionais — mas afirmou ter optado pelo diálogo em vez do confronto direto, inclusive nesses temas sensíveis.

Ao inserir Cuba na conversa com Trump, Lula ampliou o escopo da visita para além da agenda econômica. A oferta de mediação posiciona o Brasil como potencial interlocutor entre Washington e Havana em um momento de crescente pressão norte-americana sobre a ilha.