Negócios

EUA pagam até US$ 1 milhão por denúncias de conluio contra JBS e Marfrig

Governo Trump escala pressão sobre frigoríficos brasileiros que controlam mais de 80% do abate de gado nos EUA
JBS e conluio em preços de carne sob investigação Trump nos EUA

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta semana que pagará uma recompensa superior a US$ 1 milhão a quem fornecer informações úteis sobre práticas de conluio em preços no setor de carne bovina.

As brasileiras JBS — maior produtora de carne nos EUA — e National Beef, controlada pela Marfrig, são alvos diretos da investigação, ao lado das americanas Cargill e Tyson Foods.

A operação foi solicitada pelo presidente Donald Trump, que acusa as quatro empresas de elevar preços da carne “por meio de conluio ilícito”.

Investigação que já analisou 3 milhões de documentos

O Departamento de Justiça informou que revisou mais de 3 milhões de documentos e ouviu centenas de pessoas do setor, incluindo pecuaristas e produtores, desde o início das apurações em novembro do ano passado.

O caso tem raízes em uma concentração de mercado formada ao longo de décadas: entre 1980 e 1990, a fatia de gado comprada por esses frigoríficos passou de um terço para mais de 80% do rebanho nacional americano. Hoje, JBS e National Beef respondem, juntas, pela maior e pela quarta maior operação de processamento de carne nos EUA — esta última também reconhecida como a mais lucrativa do setor no país, segundo a Marfrig.

Em nota, a Marfrig afirmou que respeita as leis de defesa da concorrência e destacou que, nos EUA, a National Beef atua em sociedade com 700 produtores locais, que detêm cerca de 18% do capital da companhia. A JBS não respondeu ao pedido de comentário até o fechamento da reportagem.

Secretária de Agricultura mira empresas estrangeiras

A secretária de Agricultura dos EUA, Brooke Rollins, foi além das acusações de conluio e afirmou que a propriedade estrangeira de grandes processadores de carne representa uma ameaça ao país. Ela associou as empresas a casos de corrupção, cartéis e trabalho escravo, citando denúncias recentes. “O que já é ruim o suficiente por si só, mas também é em detrimento dos grandes pecuaristas independentes e consumidores da América”, declarou.

A pressão sobre a JBS se acumula em duas frentes simultâneas: enquanto os EUA investigam conluio nos preços da carne, no Brasil o Ministério Público do Trabalho do Pará já pediu a condenação da empresa em ao menos R$ 118 milhões por trabalho análogo à escravidão em sua cadeia produtiva — a própria secretária Rollins citou essas denúncias ao listar acusações contra a companhia. Leia mais sobre a ação do MPT contra a JBS no Pará.

O conselheiro de Trump, Peter Navarro, foi além e afirmou que o lobby da carne, representado por brasileiros, teria “ameaçado silenciosamente a Casa Branca” em resposta ao tarifaço de 50% aplicado em agosto sobre produtos brasileiros — incluindo carne, principal produto do Brasil para o mercado americano. Segundo ele, a pressão teria resultado no desvio de carne dos EUA para a China.

Mercado americano sob pressão estrutural

O cenário de fundo é de estresse severo na cadeia de suprimentos: os estoques de gado nos EUA caíram ao nível mais baixo em quase 75 anos, resultado de seca prolongada que deteriorou pastagens e elevou custos de alimentação. A suspensão das importações de gado mexicano, decretada há um ano por preocupações com a bicheira-do-Novo-Mundo, agravou ainda mais a restrição de oferta e empurrou os preços da carne a recordes históricos.

A investigação também chega em um momento de turbulência trabalhista para a JBS nos EUA: em abril, a empresa encerrou uma greve de um mês na unidade de Greeley, no Colorado, concedendo reajuste de 33% — episódio que expôs as tensões internas do setor. Entenda o fim da greve na JBS Colorado e o reajuste de 33%.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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