Saúde

TCU aponta R$ 260 mi em perdas com CoronaVac e cobra Ministério da Saúde

Atraso de sete meses na contratação com o Butantan teria levado ao descarte de doses após o vencimento
Fachada do TCU refletindo prejuízo de CoronaVac no Ministério da Saúde sob governo Lula

O Tribunal de Contas da União (TCU) exige explicações do Ministério da Saúde por um atraso de cerca de sete meses na contratação da CoronaVac em 2023. A demora teria causado um prejuízo estimado de R$ 260 milhões ao erário.

Segundo a auditoria, parte das doses adquiridas pelo Contrato 221/2023 — firmado com o Instituto Butantan — venceu sem ser aplicada, em meio à queda na demanda pela vacina.

A decisão foi publicada nesta segunda-feira (4) no Diário Oficial da União e determina a abertura de audiência para dois gestores do ministério, que têm 15 dias para apresentar justificativas.

O que o TCU aponta

A análise técnica do tribunal concluiu que o tempo para fechar o contrato pode ter comprometido o chamado “aproveitamento útil” da compra — conceito usado para avaliar se uma aquisição pública atendeu ao objetivo para o qual foi planejada.

Para o TCU, o intervalo de sete meses pode indicar descumprimento do princípio da eficiência, que exige da administração pública agilidade, especialmente em situações de maior urgência, como a resposta à Covid-19.

Com a abertura da audiência, os dois gestores citados terão prazo para apresentar suas razões. A partir das respostas, o tribunal poderá arquivar o caso, emitir recomendações ou avançar para eventual responsabilização administrativa. Não há, por ora, conclusão definitiva sobre irregularidades.

A resposta do Ministério da Saúde

Em nota, o ministério afirmou que iniciou a compra da vacina logo no começo da gestão, em 2023, seguindo os trâmites exigidos pela administração pública e as diretrizes da Organização Mundial da Saúde vigentes à época.

A pasta reconhece que o cenário mudou ao longo do processo: recomendações internacionais foram atualizadas após o início da compra e, combinadas à redução da procura pela CoronaVac, alteraram a demanda prevista.

O ministério também informou que reorganizou a gestão de estoques no SUS, com monitoramento contínuo e uso de modelos preditivos, e fixou como meta reduzir a taxa de incineração de insumos para 1% até 2026.

O contexto da compra

O contrato foi assinado em um momento de transição epidemiológica: em 2023, o Brasil já havia saído do pico da Covid-19, mas ainda ajustava sua estratégia de vacinação diante de novas variantes e revisões nas recomendações internacionais.

Esse cenário impõe um dilema clássico para gestores de saúde pública: garantir oferta de doses sem perder o timing de uma demanda que pode cair rapidamente. É exatamente esse descompasso entre a burocracia e o ritmo da pandemia que está no centro da análise do TCU.

A cobrança chega agora porque a fiscalização do tribunal ocorre em etapas posteriores à execução dos contratos, quando há elementos suficientes para uma auditoria detalhada. No caso da CoronaVac, essa avaliação amadureceu ao longo dos anos seguintes ao contrato firmado em 2023.

O Instituto Butantan, contratado para o fornecimento das doses, optou por não se manifestar sobre o caso.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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