O mercado financeiro elevou pela oitava semana consecutiva sua projeção de inflação para 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA chegou a 4,89% — distância crescente do teto da meta oficial.
O motor da revisão é o barril de petróleo, que opera acima de US$ 110 nesta segunda, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. O encarecimento do combustível pressiona diretamente os preços domésticos.
O Focus reúne projeções de mais de 100 instituições financeiras e funciona como o principal termômetro das expectativas do setor privado sobre a economia brasileira. A pesquisa é conduzida semanalmente pelo Banco Central.
Na quinta semana consecutiva de revisões, o mercado já havia superado o teto da meta ao projetar IPCA de 4,71%. Desde então, o patamar só piorou — três semanas depois, a estimativa chegou a 4,89%, sinalizando que o conflito no Oriente Médio ainda não encontrou ponto de inflexão nos preços globais.
O cenário externo reforça o pessimismo. Na semana passada, o Banco Mundial projetou alta de 24% nos preços de energia em 2026 e alertou que o barril poderia chegar a US$ 115 no pior cenário. Com o petróleo já acima de US$ 110, o alerta ganha concretude e aumenta a pressão sobre combustíveis e fretes no país.
Juros e PIB
Apesar da escalada inflacionária, o mercado manteve a aposta em queda da taxa Selic. Os juros estão em 14,50% ao ano — após dois cortes realizados em 2026 — e os analistas seguem antecipando novos recuos ao longo do ano.
A projeção para o crescimento do PIB em 2026 permaneceu em 1,85%, sem alteração em relação à semana anterior. Para efeito de comparação, o resultado oficial de 2025 foi uma expansão de 2,3%, segundo o IBGE.
Perspectivas para 2027
Para o ano seguinte, o cenário é de leve deterioração. A projeção de crescimento do PIB recuou de 1,8% para 1,75%, indicando que os efeitos da inflação persistente e do custo elevado do crédito devem continuar pesando sobre a atividade econômica além de 2026.
No câmbio, a estimativa para o fechamento deste ano ficou estável em R$ 5,25 por dólar. Já para 2027, a projeção melhorou levemente: de R$ 5,35 para R$ 5,30 — um sinal de que o mercado espera alguma acomodação no médio prazo, ainda que o cenário de curto prazo siga pressionado.
O impacto de uma inflação elevada recai de forma desproporcional sobre trabalhadores de menor renda. Quando os preços sobem — especialmente combustíveis e alimentos — e os salários não acompanham o ritmo, o poder de compra se deteriora. A oitava alta consecutiva na projeção do IPCA reforça esse risco para o segundo semestre do ano.
