O dólar abriu a semana em alta nesta segunda-feira (4), sendo negociado a R$ 4,9622 — valorização de 0,26% frente ao real. A pressão vem do Oriente Médio: relatos de ataque a uma embarcação americana no Estreito de Ormuz empurraram o petróleo Brent acima de US$ 111 por barril, elevando o alerta sobre inflação global e doméstica.
No Brasil, o mercado retoma após o feriado com agenda pesada: o boletim Focus registrou nova alta na projeção de inflação para 2026, enquanto o presidente Lula assina, às 10h, a Medida Provisória do Novo Desenrola Brasil.
Petróleo e Estreito de Ormuz puxam o mercado
Por volta das 8h40, o Brent para julho subia 3,47%, a US$ 111,92 por barril, enquanto o WTI para junho avançava 3,45%, a US$ 105,46. Os preços refletem a escalada das tensões no Estreito de Ormuz após relatos — ainda não confirmados — de ataque a uma embarcação americana e novos alertas do Irã contra a presença dos EUA na região.
A instabilidade já havia levado o barril a superar os US$ 125 em momentos de pico de volatilidade, em meio à ausência de avanços nas negociações entre Washington e Teerã. O Pentágono estimou que a remoção das minas do Estreito poderia levar até seis meses — prazo que ainda corre enquanto o conflito segue sem resolução.
O impacto nos preços domésticos preocupa. Quando o petróleo atingiu US$ 110 pela primeira vez neste conflito, o governo brasileiro montou um pacote emergencial de R$ 4 bilhões para conter os preços de diesel e gás — medida que pode voltar à pauta com o Brent agora acima de US$ 111.
Focus: oitava semana seguida de revisão na inflação
O boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou nova alta na projeção de inflação para 2026, que passou de 4,86% para 4,89%, marcando a oitava semana consecutiva de revisão para cima. A escalada do petróleo é apontada como um dos principais vetores de pressão, sobretudo pelo efeito direto nos combustíveis.
Às 10h, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina a Medida Provisória do Novo Desenrola Brasil, programa de renegociação de dívidas que deve movimentar o mercado de crédito doméstico ao longo da semana.
Bolsas globais: Wall Street avança, Ásia recua
Na última sessão, os principais índices americanos encerraram em alta e registraram os maiores ganhos mensais em anos, sustentados por resultados corporativos positivos que compensaram o nervosismo com a oferta global de petróleo. O Dow Jones subiu 1,62%, para 49.652 pontos; o S&P 500 avançou 1,02%, a 7.209 pontos; e o Nasdaq ganhou 0,89%, chegando a 24.892 pontos.
Na Europa, o saldo foi majoritariamente positivo: o STOXX 600 subiu 0,35%, o FTSE 100 avançou 1,03% e o DAX alemão ganhou 0,28%. O CAC 40 francês ficou na contramão, com queda de 0,59%.
Na Ásia, os mercados fecharam divididos. O Hang Seng de Hong Kong recuou 1,3%, o Nikkei cedeu 1,1% e o KOSPI sul-coreano caiu 1,38%, enquanto o Shanghai Composite subiu modestamente 0,1%.
O pano de fundo geopolítico permanece tenso e sem perspectiva clara de desfecho. Cinco dias antes, Trump já sinalizava endurecimento com o Irã — e o Estreito de Ormuz voltava ao centro das atenções enquanto o mercado aguardava as decisões de juros do Fed e do Copom. Desde então, o governo americano oscila entre intensificar a pressão militar e reduzir sua presença na região. O Irã, por sua vez, usou o período de cessar-fogo para reorganizar sua estrutura de defesa.
