Páginas de esquerda ligadas ao governo federal lançaram uma versão própria da “Dona Maria” — a idosa fictícia gerada por inteligência artificial que se tornou fenômeno nas redes criticando Lula. No novo avatar, a personagem mantém a mesma aparência, mas adota discurso favorável ao presidente e ataca a família Bolsonaro.
O conteúdo foi publicado em 23 de abril por perfis como Lula Pela Verdade, Comitê Popular Oficial, Brasil Fora da Caverna, Esquerda Brasil 4.0 e Jovem Esquerda Br.
A personagem que virou fenômeno contra o governo
A “Dona Maria” original ganhou projeção a partir de 2025 com vídeos de tom emocional e linguagem agressiva contra Lula. Um post no Instagram publicado em 10 de julho daquele ano alcançou 8,8 milhões de visualizações e mais de 23 mil comentários — engajamento comparável ao de políticos tradicionais da direita, segundo análise da BBC News Brasil.
A média da página supera 2 mil comentários por publicação, e ao menos 12 vídeos ultrapassaram 1 milhão de visualizações em menos de um ano.
No pico do tarifaço anunciado por Donald Trump, a personagem foi uma das vozes mais compartilhadas nas redes, criticando a postura do governo e a aparente inação de Lula diante das medidas comerciais americanas.
O movimento governista de criar sua própria ‘Dona Maria’ ocorre dias depois de PT, PV e PCdoB acionarem o TSE pedindo a suspensão dos perfis originais, que acumulam mais de 730 mil seguidores no Instagram — veja o que os partidos pediram ao tribunal.
Disputa por avatares sintéticos vira estratégia eleitoral
No vídeo governista, a avatar diz: “Eles mentiram pra nós. Falaram que o Lula ia acabar com o Brasil, mas tudo que vejo é o homem trabalhando pelos brasileiros. Fica difícil falar mal dele com ele propondo o fim da escala 6 por 1.” A fala espelha o estilo da versão original — linguagem direta, tom emocional e identificação com o eleitor comum.
Ao replicar a estética da “Dona Maria” adversária, os perfis governistas tentam capturar o mesmo engajamento orgânico que tornou a personagem um instrumento de oposição. O movimento sinaliza que o uso de avatares de IA como ferramenta eleitoral tende a se intensificar com a aproximação de 2026.
A corrida pelos personagens sintéticos também pressiona as plataformas: o Instagram anunciou uma etiqueta para identificar criadores de conteúdo produzido com inteligência artificial — medida associada diretamente ao debate gerado pelo caso — entenda como funciona o novo recurso.
A ação da Federação Brasil da Esperança no TSE foi protocolada em 22 de abril, pedindo a suspensão e indisponibilização de perfis com o nome “Dona Maria” no Instagram, TikTok, Facebook, YouTube e X.
