O Instagram anunciou nesta segunda-feira (4) o lançamento da etiqueta “Criador de conteúdo de IA”, um rótulo que indica quando uma conta produz conteúdo com auxílio de inteligência artificial.
A novidade entra em fase de teste a partir de hoje e deve ser ampliada para mais usuários nas próximas semanas, segundo a empresa.
Quem optar por ativar a etiqueta passará a exibir a marcação “Criador de conteúdo de IA” no perfil, no feed, nos Reels e na aba Explorar — ou seja, nos principais pontos de visibilidade da plataforma.
Além da adesão voluntária, o Instagram informou que também vai rotular automaticamente contas que usam ferramentas de IA com frequência no processo criativo, independentemente de qualquer ação do usuário.
A empresa reconhece que mais pessoas têm tido o primeiro contato com conteúdo gerado por IA no feed, enquanto outra parcela recorre à tecnologia para ampliar a própria criatividade.
“Sabemos que as pessoas querem mais transparência sobre quem ou o que está por trás do que veem e, por isso, estamos tomando medidas para elevar o padrão de transparência sobre IA no Instagram”, afirmou a companhia em comunicado.
A Meta, controladora do Instagram, não divulgou critérios técnicos detalhados sobre como determinará quais contas serão rotuladas automaticamente.
Pressão por transparência no Brasil
A iniciativa chega num momento de pressão crescente por identificação de conteúdo sintético nas redes. Em abril, partidos acionaram o TSE para derrubar perfis da “Dona Maria” — personagem gerada por IA que simulava uma pessoa real para veicular conteúdo político no Instagram sem qualquer identificação.
O caso evidenciou como perfis artificiais podem ser usados para influenciar o debate público, especialmente em períodos eleitorais, e reforçou o apelo de reguladores e partidos por mecanismos de transparência nas plataformas.
A rotulagem de conteúdo criado com IA é uma das principais demandas de organismos regulatórios ao redor do mundo. No Brasil, a discussão sobre regulação de IA avança no Congresso Nacional, com propostas que incluem obrigações de identificação para conteúdo sintético distribuído em larga escala.
Para criadores de conteúdo, a etiqueta pode funcionar tanto como diferencial de autenticidade quanto como sinal de uso transparente da tecnologia — posicionamento que tende a ganhar peso conforme a audiência se torna mais exigente sobre a origem do que consome.
