O Brasil registrou 64 acidentes aéreos e 17 mortes nos quatro primeiros meses de 2026, segundo dados do Cenipa, órgão da Força Aérea Brasileira responsável pela investigação de ocorrências aeronáuticas.
Nesta segunda-feira (4), um avião de pequeno porte caiu sobre um prédio residencial no bairro Silveira, em Belo Horizonte. O piloto e um passageiro morreram; três pessoas ficaram feridas. Nenhum morador do edifício foi atingido.
Desde 2016, o país acumula 1.605 acidentes e 779 mortes na aviação.
Histórico recente: pico em 2024 e queda gradual
O ritmo de acidentes em 2026 ainda é baixo em comparação com os anos anteriores da série. Em 2025, foram 153 ocorrências e 62 mortes — número próximo ao padrão histórico. Já 2024 foi o ano mais letal da série recente: 175 acidentes e 152 mortes, fortemente influenciado pelo maior desastre aéreo do país em 17 anos.
Em agosto de 2024, um avião da Voepass caiu em Vinhedo, no interior de São Paulo, durante voo entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP). A aeronave perdeu contato com o controle de tráfego aéreo e despencou sobre a área externa de um condomínio residencial, matando todas as 62 pessoas a bordo. Após o acidente, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) suspendeu as operações da companhia por questões de segurança.
Em 2023, o Brasil registrou 155 acidentes e 78 mortes — volume semelhante ao observado nos demais anos da série histórica.
Causas: fator humano lidera com folga
O levantamento do Cenipa aponta que as falhas operacionais são a principal causa de acidentes: 739 ocorrências envolvem problemas na condução do voo, planejamento, pouca experiência do piloto e ausência de supervisão gerencial. Na sequência, aspectos psicológicos aparecem em 517 casos.
Fatores ligados ao ambiente operacional — como condições meteorológicas e interferências externas — somam 94 ocorrências. Problemas de infraestrutura aeroportuária respondem por 51 registros, e fatores médicos, como fadiga, desorientação, uso de álcool e medicamentos, por 45 casos. Outros fatores incluem ergonomia (8), fabricação (7), projeto (6), manuseio de materiais (5) e infraestrutura de tráfego aéreo (2).
Distribuição geográfica: SP e MT concentram mais acidentes
Na série histórica desde 2016, São Paulo lidera o número de acidentes aéreos no país, com 285 ocorrências registradas. Mato Grosso aparece em segundo lugar, com 196 casos — reflexo da intensa aviação agrícola e do transporte regional no estado.
Rio Grande do Sul soma 142 acidentes, seguido por Minas Gerais (134), Paraná (106), Bahia (60) e Rio de Janeiro (42). A concentração em estados com maior atividade econômica ou extensão territorial aponta para a relação entre volume de voos e risco de ocorrências.
O acidente desta segunda em Belo Horizonte — cidade que integra o estado com o quarto maior histórico de ocorrências da série — reforça a recorrência do tema em Minas Gerais. O caso ainda está sob investigação, e as causas oficiais não foram divulgadas.
Os dados do Cenipa são usados pela FAB e pela Anac para subsidiar políticas de prevenção e regulação do setor. A predominância de falhas humanas e operacionais na causalidade dos acidentes indica que treinamento, supervisão e cultura de segurança seguem como prioridades centrais para reduzir mortes na aviação brasileira.
