Elon Musk admitiu em tribunal que a xAI usou tecnologia da OpenAI para treinar o Grok, seu sistema de inteligência artificial rival ao ChatGPT.
A declaração foi feita durante o julgamento em curso na Califórnia, onde Musk processa a OpenAI desde 2024. Pressionado pelo advogado da empresa, o bilionário confirmou que sua companhia recorreu à técnica de destilação de modelos com dados da concorrente.
A admissão no tribunal
Ao ser questionado por William Savitt, advogado da OpenAI, sobre a destilação de modelos — técnica que usa um sistema de IA maior para treinar outro menor —, Musk demonstrou dominar o conceito. Em seguida, foi indagado diretamente se a xAI havia aplicado a técnica com produtos da OpenAI.
O bilionário primeiro tentou esquivar-se, afirmando que “geralmente todas as empresas de IA fazem isso”. Pressionado, recuou: “Em parte, [usou modelos de IA da OpenAI]”. A admissão é politicamente explosiva: ao processar a OpenAI por US$ 150 bilhões, Musk alega que a empresa traiu sua missão de atuar como entidade sem fins lucrativos — enquanto, ao mesmo tempo, seu próprio sistema foi treinado com a tecnologia adversária.
O que Musk exige da OpenAI
Além dos danos financeiros, o empresário quer que a OpenAI abandone a estrutura comercial adotada em 2019 e que Sam Altman e Greg Brockman sejam removidos dos cargos executivos. O valor pedido em danos seria destinado ao braço filantrópico da empresa.
Musk afirma ter sido mantido no escuro sobre a criação do modelo híbrido e que seu nome e apoio financeiro — cerca de US$ 38 milhões investidos entre 2016 e 2020 — foram usados para atrair investidores sem seu consentimento pleno. Um dos cofundadores originais da organização, ele diz que a empresa foi desviada de seu propósito e se tornou uma “máquina de riqueza”.
A OpenAI rebateu as acusações em comunicado divulgado durante o julgamento, intitulado “A verdade sobre Elon Musk e a OpenAI”. A empresa afirma que as ações do bilionário são motivadas por “ciúmes, arrependimento por ter abandonado a OpenAI e desejo de descarrilar uma concorrente”.
Os advogados da organização sustentam que Musk participou das discussões sobre a mudança estrutural e que ele próprio exigiu ser CEO à época. A Microsoft, também ré no processo, nega qualquer conspiração e afirma que sua parceria com a OpenAI só ocorreu após a saída de Musk do conselho, em 2018.
Documentos internos revelados no caso mostram que a ideia foi apresentada por Sam Altman a Musk em 2015 como o “Projeto Manhattan da IA”. Em 2017, tensões levaram Musk a tentar assumir o controle como CEO — pedido recusado. Após deixar o conselho, ele fundou a xAI em 2023 e passou a atacar a ex-parceira na Justiça e publicamente.
IPOs bilionários no horizonte
O julgamento acontece num momento estratégico para ambos os lados. A batalha judicial ocorre enquanto a OpenAI prepara sua abertura de capital — a empresa já havia captado US$ 122 bilhões, atingindo avaliação de US$ 852 bilhões, e agora mira o patamar de US$ 1 trilhão em bolsa.
Enquanto tenta frear o crescimento da rival na Justiça, Musk conduz em paralelo a abertura de capital da SpaceX, prevista para este ano com estrutura de governança que concentra o controle em suas mãos.
