Um azeite produzido no Rio Grande do Sul entrou para a história do European International Olive Oil Competition (EIOOC) ao conquistar nota 100 de 100 — marca que nenhum produto havia atingido antes na competição.
O rótulo Frantoio, da Estância das Oliveiras, em Viamão (RS), foi avaliado por especialistas de diversas nacionalidades entre os dias 14 e 16 de abril, em Genebra, na Suíça. A edição de 2026 reuniu mais de 200 marcas de países como Espanha, Itália, Grécia, Turquia e França.
Nota perfeita em meio a centenas de concorrentes
André Goelzer, dono da fazenda e responsável pela produção, definiu o resultado com uma frase direta: “É a nota em forma de perfeição”. A pontuação máxima significa que nenhum dos jurados identificou qualquer defeito no produto durante as sessões de degustação realizadas no Château de Bossey, em Genebra.
Segundo a organização do concurso, outras marcas já alcançaram nota máxima em competições promovidas pelo grupo GIOOC — mas no European International, isso nunca havia ocorrido. “É algo extremamente raro”, afirmou o representante do concurso identificado como Chouket.
O Frantoio se distingue pelo perfil sensorial intenso: picância, amargor e frutado são as marcas mais imediatas. Rafael Sittoni Goelzer, diretor de relacionamento da Estância das Oliveiras, detalha que análises olfativas e gustativas identificaram notas de especiarias, erva-doce, melão, amêndoa verde, manjericão, frutas vermelhas, pera, aipo, figo, coentro, banana, pimentão verde e ervas frescas.
“Muita gente pergunta se adicionamos esses ingredientes à garrafa”, conta Rafael. “Na verdade, são percepções de análises sensoriais.” O produto é composto exclusivamente de azeite de oliva extravirgem puro, sem adição de aromas ou extratos artificiais.
Terroir gaúcho como diferencial competitivo
Para Rafael Goelzer, a nota máxima não foi coincidência. O resultado é fruto direto do terroir — combinação de clima, solo, relevo e técnicas de produção específicas da região de Viamão — aliado à variedade da azeitona e ao rigor em cada etapa do processo.
O conceito, historicamente associado ao vinho, vem ganhando espaço na olivicultura brasileira como argumento de qualidade e autenticidade. Em um mercado onde a adulteração de azeites ainda é tema recorrente, a premiação reforça a credibilidade de produtores que apostam na transparência e no controle de toda a cadeia produtiva.
A conquista do EIOOC posiciona a Estância das Oliveiras no mapa internacional do extravirgem e abre perspectivas para o agronegócio gaúcho ampliar presença em mercados consumidores exigentes — especialmente na Europa, onde a cultura do azeite é secular e o padrão de avaliação, rigoroso.
