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Influencer usa deepfake para sexualizar jovens evangélicas e responde por crime contra menor

Adolescente de 16 anos teve foto manipulada com IA sem autorização; caso tramita na Vara de Crimes contra Crianças e Adolescentes de SP
Adolescentes vulneráveis retratadas em caso de deepfake de influencer contra jovens evangélicas

Jefferson de Souza, humorista e influenciador digital de 37 anos, é investigado pela Polícia Civil de São Paulo por usar deepfake para inserir imagens de adolescentes e mulheres evangélicas em vídeos sexualizados — dentro das próprias igrejas da Congregação Cristã do Brasil.

Uma jovem de 16 anos, que teve sua foto tirada em um momento de fé no altar da CCB do Brás, no Centro de São Paulo, relatou que nunca autorizou o uso da imagem. “Ele pegou a minha foto sem autorização e fez uma montagem com inteligência artificial”, disse ela.

O caso veio a público em fevereiro de 2026, quando a adolescente e seus pais procuraram a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em São Mateus, Zona Leste de São Paulo. Jefferson é investigado com base no artigo 241-C do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que pune a simulação de cena de sexo ou pornografia com menor por meio digital — pena de 1 a 3 anos de reclusão, além de multa. A polícia também apura se houve difamação contra outras jovens expostas.

Como os vídeos eram produzidos

Em depoimento à polícia, Jefferson admitiu usar ferramentas de IA e recursos do TikTok para “animar” fotos de jovens da CCB — transformando imagens estáticas em vídeos com movimentos sensualizados. Em publicações próprias, descreveu o processo: “Pego a foto, as irmãs postando foto de costa, aí eu jogo na IA, a IA faz dançar.”

O material era distribuído no canal “Humor do Crente”, no YouTube, com mais de 11 mil inscritos, e em perfis no Instagram, Facebook e TikTok — onde Jefferson se apresenta como “Silvio Souza”, em alusão ao apresentador Silvio Santos. Somava cerca de 50 mil seguidores nas plataformas.

Em depoimento por carta precatória, o influencer afirmou desconhecer que a adolescente era menor de idade e argumentou que, “em razão do porte físico”, acreditava tratar-se de adulta. Alegou que o conteúdo era “humorístico” e negou intenção ofensiva. Não respondeu ao g1 antes do fechamento da reportagem.

O inquérito foi transferido da 8ª DDM da capital para a 2ª Vara da Comarca de Lençóis Paulista — cidade do interior paulista onde o investigado reside —, a pedido do Ministério Público. A família da vítima também ajuizou ação por danos morais. “A apuração desse crime é muito importante para que tenha um caráter educativo”, afirmou o advogado William Valvasori.

Especialistas são categóricos: o uso de IA não reduz a responsabilidade de quem produz ou distribui esse tipo de conteúdo. Para a pesquisadora Laura Hauser, da PUC-SP, o debate não deve recair sobre as vítimas. “Não é a vítima que tem que se cuidar. O predador que deve ser intimado a melhorar.”

Juliana Cunha, diretora da SaferNet, alertou que casos como esse tendem a crescer com o avanço da tecnologia. A organização conduz há mais de um ano uma pesquisa sobre uso ilegal de IA para gerar imagens sexuais envolvendo adolescentes e mulheres. “É muito importante que vítimas dessa violência não se sintam culpadas”, disse.

O caso das evangélicas se insere em um padrão mais amplo de misoginia digitalizada no Brasil: semanas antes, o TikTok já estava no centro da polêmica da trend “caso ela diga não”, que mobilizou a imprensa internacional e expôs como plataformas de vídeo curto se tornaram vetores de violência de gênero no país. Leia mais sobre a repercussão dessa trend no Tropiquim.

O fenômeno também pressiona empresas de tecnologia globalmente. Três adolescentes americanas já processaram a xAI, de Elon Musk, por não impedir que o Grok gerasse deepfakes sexualizados com suas imagens — episódio que reforça a urgência de regulação em toda a indústria. Saiba como o setor tenta responder a essas demandas.

Plataformas e CCB se manifestam

O TikTok informou adotar tolerância zero para exploração sexual infantil e remover esse tipo de conteúdo. O YouTube retirou vídeos que violavam suas diretrizes. A Meta, responsável por Instagram e Facebook, não se manifestou. A Congregação Cristã do Brasil afirmou não ter registro formal de membros, mas declarou apoio às medidas legais cabíveis.

Em vídeo publicado no Domingo de Páscoa, em 5 de abril, Jefferson pediu desculpas aos “irmãos” da CCB pelos vídeos com críticas à igreja — sem mencionar em nenhum momento os deepfakes feitos com imagens das adolescentes e mulheres. “Eu peço perdão a todos que se sentiram ofendidos. Eu prometo ser mais cauteloso”, disse.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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