Política

Diretor da PF defende delegado expulso dos EUA e Lula ameaça reciprocidade

Andrei Rodrigues diz que missão seguia acordo bilateral; Washington acusa Brasil de perseguição política e exige saída de agente
Delegado PF expulso dos EUA Ramagem: Lula e Polícia Federal em resposta diplomática

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, saiu em defesa do delegado Marcelo Ivo de Carvalho nesta quarta-feira (22) após o governo americano exigir que o agente deixasse os Estados Unidos. Para Rodrigues, a atuação de Carvalho na prisão de Alexandre Ramagem, em Orlando, seguiu o acordo de cooperação policial entre Brasil e EUA.

A crise escalou rapidamente: Washington acusou o agente de tentar contornar pedidos formais de extradição e promover perseguições políticas em solo americano. O presidente Lula, em viagem à Europa, disse que pode acionar a reciprocidade se confirmar abuso do lado americano.

Missão de dois anos virou pivô diplomático

Marcelo Ivo de Carvalho estava nomeado como oficial de ligação em Miami, atuando junto ao ICE — Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA. A missão tinha duração inicial de dois anos e entre suas atribuições estava a colaboração na identificação e prisão de foragidos da Justiça brasileira nos Estados Unidos. O governo publicou portaria prorrogando sua permanência por mais um ano.

A operação que resultou na detenção de Ramagem foi descrita pela PF como fruto direto dessa cooperação bilateral. A prisão ocorreu em Orlando após Ramagem fugir clandestinamente do Brasil pela fronteira com a Guiana — no mesmo período em que o STF julgava e condenava os envolvidos na trama golpista. Ele havia sido condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime fechado.

A Mesa Diretora da Câmara já havia cassado o mandato de Ramagem antes da prisão em território americano. O ICE, porém, liberou o ex-deputado logo depois, informando à PF que ele poderia aguardar em liberdade nos EUA o desfecho de um pedido de asilo. Interlocutores relataram que a informação veio em reunião — um encontro que já estava marcado antes da soltura, com o objetivo de evitá-la.

Washington acusa, Brasília convoca embaixada

A reação americana veio pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental. Sem citar o nome do delegado Marcelo Carvalho, o governo Trump afirmou em nota que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

A resposta brasileira foi imediata. A encarregada de Negócios interina da Embaixada americana em Brasília, Kimberly Kelly, foi convocada ao Itamaraty. O encontro durou cerca de uma hora, com Kelly reunida com Christiano Figueiroa, diretor do Departamento de América do Norte do MRE.

Logo após a prisão original, o diretor da PF já havia descrito a operação como fruto da cooperação bilateral — o mesmo argumento reforçado nesta quarta por Andrei Rodrigues. A corporação nomeou a delegada Tatiana Alves Torres para substituir Carvalho no posto de Miami, em missão transitória de dois anos.

Na porta de um hotel em Hannover, durante passagem pela Alemanha, Lula disse não saber ao certo o que ocorreu. Mas deixou o recado: “Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil.” A declaração abre caminho para o Brasil expulsar um agente americano em território nacional — o que aprofundaria ainda mais o racha diplomático entre as duas potências.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
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