As forças armadas dos Estados Unidos atacaram neste domingo (19) o cargueiro iraniano Touska no Golfo de Omã, após a embarcação ignorar uma ordem de parada e tentar forçar passagem pelo bloqueio naval americano.
O presidente Donald Trump confirmou a ação nas redes sociais e disse que um “buraco” foi aberto na casa de máquinas do navio. O incidente eleva a tensão entre os dois países a poucos dias do prazo final do cessar-fogo em vigor.
O Touska havia saído de um porto da Malásia em 12 de abril e se aproximava do Estreito de Ormuz quando foi interceptado. O bloqueio que a embarcação tentou furar foi estabelecido em 13 de abril, quando os EUA passaram a barrar toda embarcação com origem ou destino em portos iranianos — medida que Teerã classificou como ilegal e equiparou a pirataria.
A ação deste domingo não foi surpresa. Ainda na segunda-feira (13), Trump havia declarado que destruiria qualquer navio iraniano que tentasse furar o bloqueio, usando o mesmo método adotado contra embarcações de tráfico no Caribe.
A escalada antecede uma sequência de movimentos que tornaram o fim de semana o mais tenso do conflito. Na sexta-feira (17), o Irã anunciou a reabertura total do Estreito de Ormuz, mas recuou no dia seguinte e voltou a fechar a rota, alegando o bloqueio americano como justificativa.
No sábado (18), a Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra dois petroleiros indianos que navegavam pela região — ação que Trump criticou publicamente e classificou como violação direta do cessar-fogo.
Ameaças e negociações em paralelo
Antes de confirmar o ataque ao Touska, Trump publicou novas ameaças ao Irã nas redes sociais. “Estamos oferecendo um ACORDO muito justo e razoável, e espero que eles aceitem porque, se não aceitarem, os Estados Unidos vão destruir todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã”, escreveu o presidente.
A ameaça não é nova: em março, Trump já havia lançado um ultimato nos mesmos termos, exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz em 48 horas. A retomada do mesmo discurso indica que o prazo para um acordo definitivo está se esgotando.
O principal ponto em disputa envolve o programa nuclear iraniano e o controle do tráfego pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa parcela significativa do petróleo exportado globalmente.
Uma nova rodada de negociações estava prevista para a segunda-feira (20), no Paquistão. Trump disse ter enviado uma delegação americana para as conversas. A mídia estatal iraniana, no entanto, negou que Teerã fosse participar do encontro — sinalizando que o impasse permanece longe de uma solução.
