O conflito no Oriente Médio segue pressionando as expectativas econômicas do Brasil: o mercado financeiro elevou novamente a projeção de inflação para 2026, desta vez de 4,71% para 4,80% pelo IPCA.
Os dados constam do Boletim Focus desta segunda-feira (20), divulgado pelo Banco Central com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Apesar da revisão para cima na inflação, o mercado manteve a expectativa de queda dos juros — mas em ritmo menor do que o previsto na semana passada.
Juros, câmbio e PIB: o que o Focus revisou esta semana
A taxa Selic está atualmente em 14,75% ao ano, após o Banco Central autorizar o primeiro corte em quase dois anos na semana passada. Mesmo diante da inflação em alta, o mercado financeiro continua projetando novos cortes — porém em magnitude menor do que a estimada anteriormente.
Na semana passada, o Focus já havia registrado a quinta alta consecutiva na projeção de inflação, com o IPCA saltando para 4,71% e superando pela primeira vez o teto da meta. A edição desta segunda-feira aprofunda essa revisão para 4,80%, conforme tendência que o Tropiquim acompanhou na edição anterior do boletim.
Para o crescimento da economia, as projeções tiveram variação marginal: o mercado elevou a estimativa do PIB de 2026 de 1,85% para 1,86%, enquanto manteve em 1,8% a projeção para 2027. No ano passado, o PIB cresceu 2,3%, segundo o IBGE.
No câmbio, houve melhora nas estimativas: a projeção para o dólar ao fim de 2026 caiu de R$ 5,37 para R$ 5,30. Para o fechamento de 2027, a estimativa recuou de R$ 5,40 para R$ 5,35.
A leve alta na estimativa de PIB desta semana acompanha a revisão feita pelo FMI, que elevou sua projeção de crescimento do Brasil para 1,9% em 2026, citando o impacto positivo do petróleo caro sobre as exportações brasileiras.
Por que isso afeta o bolso dos brasileiros
Inflação mais alta significa perda direta de poder de compra — e o impacto é mais severo para quem recebe salários mais baixos. Enquanto os preços sobem, os rendimentos frequentemente não acompanham o mesmo ritmo, corroendo o orçamento familiar.
A guerra no Oriente Médio atua como fator de pressão sobre o petróleo, que se transmite para o custo de transporte, energia e produção de alimentos — itens com peso relevante no IPCA. Esse mecanismo explica por que um conflito distante geograficamente tem reflexos diretos no carrinho de supermercado e na conta de luz dos brasileiros.
Com juros ainda elevados e inflação revisada para cima, o cenário exige atenção: crédito mais caro reduz o consumo das famílias e o investimento das empresas, enquanto a pressão inflacionária corrói os ganhos reais de quem vive de salário. O mercado monitora a próxima reunião do Copom para calibrar a velocidade dos cortes diante desse equilíbrio delicado.
