Ciência

Dois cientistas brasileiros entram no Time 100 com pesquisas que já mudam vidas

Método contra dengue e inoculante para soja representam décadas de ciência pública aplicada
Plantas de soja em crescimento: inovação dos cientistas brasileiros Time 100 mais influentes

Dois pesquisadores brasileiros integram a lista das 100 pessoas mais influentes do mundo da revista Time em 2026. Luciano Moreira e Mariangela Hungria chegaram ao topo com descobertas que saíram dos laboratórios e já transformam a realidade de milhões de brasileiros.

Moreira criou o método Wolbachia, que usa uma bactéria para bloquear a replicação do vírus da dengue no mosquito Aedes aegypti. Hungria desenvolveu um inoculante à base de microrganismos do solo que substitui fertilizantes químicos nas lavouras de soja — e gerou uma economia estimada em R$ 140 bilhões para o agronegócio nacional.

17 anos combatendo doenças negligenciadas

Classificado pela Time como “Inovador”, Luciano Moreira dedica 17 anos ao desenvolvimento do método Wolbachia. A técnica introduz uma bactéria no Aedes aegypti que impede a transmissão da dengue, da zika e da chikungunya — doenças historicamente pouco pesquisadas por afetarem, sobretudo, países tropicais e em desenvolvimento.

O contexto que torna a descoberta ainda mais urgente: desde os anos 2000, mais de 18 mil pessoas morreram por dengue no Brasil e outras 25 milhões contraíram a doença, pressionando o sistema de saúde. Hoje, os mosquitos com Wolbachia são parte oficial da política pública brasileira de controle vetorial. O Brasil mantém a maior fábrica desse tipo de inseto no mundo.

34 anos de pesquisa que transformaram o agro

Reconhecida como “Pioneira”, Mariangela Hungria passou 34 anos identificando e selecionando bactérias capazes de fixar nitrogênio nas lavouras de soja — nutriente indispensável para o crescimento das plantas. O trabalho, desenvolvido na Embrapa Soja, em Londrina (PR), resultou no inoculante: produto misturado à semente no momento do plantio, mais barato e menos agressivo ao meio ambiente do que os fertilizantes convencionais.

O inoculante é adotado hoje em 85% das áreas de soja do Brasil. O impacto ambiental do agronegócio preocupa especialistas — um estudo recente apontou o país como responsável por 32% do desmatamento agrícola global, cenário que torna ainda mais estratégica a substituição de insumos químicos pela solução biológica desenvolvida pela pesquisadora da Embrapa.

Para Moreira e Hungria, a inclusão na lista da Time transcende o reconhecimento individual. É um sinal de que a ciência brasileira tem capacidade de gerar soluções com alcance global — e que esse caminho exige continuidade de investimento e apoio institucional.

“É preciso agradecer à ciência, à pesquisa brasileira e a todos aqueles que nos ajudam a conduzir o processo de modo resiliente”, disse Mariangela Hungria.

O duplo destaque se soma a um momento de visibilidade crescente para a produção científica pública no país. Em março, a reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, foi destacada pela Forbes por defender que as universidades federais são insubstituíveis como produtoras de conhecimento aplicado a políticas públicas — tese que as trajetórias de Moreira e Hungria corroboram com décadas de evidência.

Juntos, os dois pesquisadores ilustram o que separa uma descoberta científica de uma transformação real: décadas de persistência, estrutura de pesquisa pública e disposição de trabalhar em temas que, por muito tempo, ninguém quis financiar.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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