Economia

Receita aponta R$ 18,1 bi movimentados por Vorcaro em contas próprias em uma década

Dados fiscais enviados à CPMI do INSS expõem trilha bilionária com passagem por fundo suspeito de ligação ao PCC
Receita Federal aponta movimentações bilionárias de Vorcaro no Banco Master

A Receita Federal mapeou R$ 18,1 bilhões movimentados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em suas próprias contas correntes ao longo de dez anos. Os dados foram encaminhados à CPMI que investigou desvios em aposentadorias e pensões do INSS — comissão encerrada em 27 de março.

Do total, R$ 11,5 bilhões (64%) correspondem a recursos enviados por terceiros às contas do banqueiro. Os outros R$ 6,6 bilhões foram transações entre contas de titularidade do próprio Vorcaro.

O Fisco utilizou dados da e-financeira — base que reúne informações sobre contas bancárias, investimentos e consórcios — para detalhar as movimentações. Nas contas correntes, as entradas totalizaram R$ 9,1 bilhões, sendo R$ 6,2 bilhões provenientes de terceiros. As saídas somaram R$ 9 bilhões, com R$ 5,3 bilhões direcionados a terceiros.

O banco mais utilizado foi o próprio Master, que concentrou R$ 12,3 bilhões do volume total. Bradesco aparece em segundo lugar, com R$ 2,4 bilhões, seguido pelo BTG, com R$ 1,7 bilhão.

Fundo sob suspeita de lavagem

Parte das movimentações teve como contrapartida aplicações em fundos de investimento: no período, Vorcaro enviou R$ 2,6 bilhões e resgatou R$ 362 milhões.

O principal destino foi o Hans II FIP MULT, da Reag Trust — fundo comandado por João Mansur, suspeito de integrar o esquema de lavagem de dinheiro atribuído a Vorcaro e à organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O Hans II é uma estrutura fechada que permite alocar todo o capital dos cotistas em ativos no exterior e contava com 28 cotistas, entre eles o próprio banqueiro. Em 31 de dezembro de 2025, o patrimônio líquido do fundo era de R$ 3,6 bilhões.

A arquitetura do Hans II seguia uma cadeia de fundos: os recursos passavam pelo FIP Jaya, que os aplicava no fundo Jade, cujo capital estava concentrado majoritariamente em ações da Golden Green Participações — empresa da família Vorcaro que atua com crédito de carbono.

O colapso veio após reportagens revelarem que a Reag e os gestores mantiveram a avaliação patrimonial bilionária do Jade inalterada ao longo de 2025, mesmo cientes da fraude nos ativos. Em fevereiro, o fundo Jade zerou o valor investido na Golden Green — anteriormente contabilizado em R$ 14,3 bilhões. Em efeito cascata, o patrimônio do Hans II despencou de R$ 3,6 bilhões para apenas R$ 83 milhões.

O Hans II não é novidade nas investigações: meses antes de a fraude vir a público, Vorcaro já havia lucrado mais de R$ 440 milhões operando cotas desse mesmo fundo com a Reag — incluindo um ganho de R$ 290 milhões em apenas 24 horas, conforme apurou o Tropiquim.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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