A Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, registrou 1.088.900 chamados em 2025 — crescimento de 45% em relação ao ano anterior. Os dados constam em levantamento do Ministério das Mulheres e apontam casos de violência psicológica como os mais frequentes.
Em média, foram 3 mil contatos por dia, entre pedidos de informação sobre a rede de proteção e denúncias diretas de crimes. Ao longo de 2025, o canal formalizou 155.111 denúncias de violência — 425 por dia.
A tendência não recua em 2026. Só no primeiro trimestre, as denúncias subiram 23%, saltando de 37.139 para 45.735 registros na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Quem são as vítimas
O levantamento detalha o perfil de quem aciona o canal. Entre as mulheres que declararam cor ou raça, a maioria é negra — 43,16% das denúncias, sendo 33,46% pardas e 9,70% pretas. A faixa etária com maior incidência é a de 40 a 44 anos, representando 9,75% dos registros.
No total, foram reportadas 679.058 violações em 2025, já que uma única denúncia pode reunir mais de um tipo de crime.
Casa é o lugar mais perigoso
O ambiente doméstico concentra as agressões: 40,76% ocorrem na residência da própria vítima e 28,58% na casa compartilhada com o suspeito. Um dado agrava o quadro — 31,86% das mulheres relatam sofrer violência diariamente. A região Sudeste concentrou quase metade das denúncias nacionais em 2025, com 47,4% do total (73.561 ocorrências).
Destaque do relatório, a violência vicária — quando o agressor usa filhos ou pessoas próximas para causar sofrimento à mulher — registrou 7.064 casos em 2025. No primeiro trimestre de 2026, essa modalidade já representa 7,77% das queixas. Uma nova lei, o PL 3.880/2024, foi sancionada para incluir a violência vicária na Lei Maria da Penha e no Código Penal.
Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o Ligue 180 vai além do simples registro de queixas. “O próprio Ministério Público, dependendo da situação, já encaminha. Ou seja, tem o encaminhamento e o monitoramento deste processo”, afirmou.
Os números do serviço se somam a um cenário de violência já amplamente documentado. O Brasil registrou 22.800 casos de estupro coletivo entre 2022 e 2025, com especialistas alertando que a subnotificação ainda esconde a real dimensão da violência contra mulheres no país.
O Ligue 180 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, com atendimento gratuito e sigiloso. Além de receber denúncias, o canal oferece informações sobre a rede de proteção disponível em cada região e ferramentas para identificar os serviços de apoio mais próximos da vítima.
