Negócios

Brasil é o mais vulnerável a fake news e setor empresarial cria coalizão para reagir

Instituto Ethos lidera aliança com ABERT, Aberje e academia para estruturar resposta ao risco que ameaça democracia e negócios
Bandeira brasileira com texturas que sugerem alerta sobre coalizão empresarial contra desinformação

O Brasil é o país com maior dificuldade para identificar notícias falsas nas redes sociais entre 21 nações avaliadas em pesquisa internacional — dado que expõe a urgência da iniciativa lançada nesta segunda-feira (13) por organizações empresariais brasileiras.

A Coalizão Empresarial Contra a Desinformação foi criada para ajudar empresas a construírem respostas estruturadas ao avanço das fake news, reunindo o Instituto Ethos, a ABERT, a Aberje e a Abradee, com suporte técnico do NetLab, laboratório da UFRJ.

Desinformação como risco sistêmico

O Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, deixou de tratar a desinformação como um problema restrito ao campo digital: o relatório a classifica como risco sistêmico com impactos diretos sobre a democracia, a confiança institucional e o ambiente de negócios.

No Brasil, o cenário é particularmente crítico. Dados da OCDE indicam que 80% dos brasileiros utilizam as redes sociais como principal fonte de informação — e pesquisa conduzida em 21 países apontou o país como a nação com maior dificuldade para distinguir notícias verdadeiras de falsas, segundo o pesquisador do NetLab Márcio Borges, que apresentou os dados no evento de lançamento.

No plano global, 40% dos especialistas consultados pelo Fórum Econômico Mundial projetam algum grau de instabilidade nos próximos dois anos em decorrência da desinformação e da polarização social — temas classificados entre os principais fatores de risco sistêmico tanto no curto quanto no longo prazo.

Para o diretor-presidente do Instituto Ethos, Caio Magri, só haverá uma "resposta consistente" ao problema com cooperação entre sociedade civil, setor privado, poder público, academia e meios de comunicação. A ABERT, uma das entidades parceiras da nova coalizão, registrou quase 900 mil ataques virtuais contra jornalistas em 2025 — crescimento de 35% em relação ao ano anterior —, números que dimensionam o ambiente hostil que a iniciativa busca reverter.

O que a coalizão vai fazer

A iniciativa deve atuar em três frentes: produção de conhecimento técnico, desenvolvimento de diretrizes orientadoras e promoção de espaços de diálogo entre lideranças empresariais, especialistas e sociedade civil. "Ao lançar esta coalizão, reforçamos o papel do setor empresarial como agente ativo na construção de um ambiente informacional mais íntegro", afirmou Andréa Álvares, presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.

O evento de lançamento incluiu um painel dedicado ao fenômeno das junk news — conteúdos que imitam o formato jornalístico sem seguir seus princípios éticos —, ao papel da publicidade nos mecanismos de disseminação de desinformação e à responsabilidade corporativa diante do desafio. Participaram o presidente-executivo da ABERT, Cristiano Lobato Flores, e o diretor-executivo da Aberje, Hamilton Santos, com moderação de Álvares.

A trajetória recente da ABERT ilustra o terreno em que a coalizão vai atuar: a entidade já precisou repudiar formalmente ataques coordenados contra jornalistas disparados por um vídeo com alegações falsas de um deputado federal — episódio que evidenciou como a desinformação pode mobilizar campanhas de ódio contra profissionais da imprensa e reforça a pertinência da articulação multissetorial agora formalizada.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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