O Ministério das Comunicações, a Anatel e a EBC inauguraram nesta terça-feira (14) a estação de testes da TV 3.0 em Brasília. Batizada de DTV+, a iniciativa marca o início da validação tecnológica da nova geração da televisão aberta no país.
A capital federal funcionará como laboratório antes de o modelo ser replicado em outras capitais. A previsão é de que a transição ocorra nos mesmos moldes da migração da TV analógica para a digital.
A DTV+ representa uma mudança estrutural na forma como o brasileiro vai consumir televisão aberta. A nova tecnologia entrega imagens em resolução 4K e até 8K, com maior brilho e contraste, além de áudio com qualidade de cinema — experiência sonora que especialistas chamam de imersiva.
Uma das mudanças mais visíveis está na navegação. Em vez de trocar de canal, o telespectador acessará o conteúdo de cada emissora como se fossem aplicativos. “Em vez de ficar passando de canal em canal, você terá o aplicativo de cada emissora, algo mais próximo do que já vemos hoje nas Smart TVs”, explicou Wilson Diniz, secretário de Comunicação Social Eletrônica do Ministério das Comunicações.
Publicidade segmentada e interatividade
O modelo também abre espaço para publicidade personalizada. Assim como já ocorre em redes sociais, as emissoras poderão direcionar anúncios conforme o perfil do espectador. “Se a pessoa quer trocar de carro, será possível exibir propagandas que falem diretamente com quem está em busca de um novo veículo”, disse Leonora Bardini, diretora de programação da TV Globo.
A interatividade também é destaque: o público poderá votar em enquetes e comprar produtos exibidos ao vivo, diretamente pela televisão aberta.
A base regulatória da TV 3.0 foi estabelecida em dezembro de 2025, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto regulamentando o novo sistema. O governo destaca ainda que a tecnologia servirá como canal direto de prestação de serviços públicos à população.
A estação de Brasília foi projetada especificamente para testes de validação — ou seja, os resultados obtidos ali vão orientar como a tecnologia será implantada nas demais capitais. O cronograma de expansão ainda não foi divulgado pelas autoridades.
A convergência entre televisão aberta e experiência digital coloca o Brasil em linha com tendências globais de broadcasting, onde a fronteira entre TV linear e plataformas on demand segue se estreitando.
