O cessar-fogo de dois dias entre Estados Unidos e Irã chegou à quinta-feira (9) sob ameaça de colapso. Com ataques relatados de ambos os lados durante a própria trégua, os mercados operam na defensiva: o dólar abriu com recuo de 0,07%, a R$ 5,0982, enquanto o barril do Brent subia 3,82%, a US$ 98,57, alimentado pelo temor de ruptura no fornecimento global de petróleo.
A trégua anunciada na quarta-feira (8) — que chegou a derrubar o dólar a R$ 5,08 e o Brent mais de 15% no momento do acordo — já acumula registros de violação. O Irã afirmou que ilhas iranianas foram atingidas e denunciou ofensivas israelenses no Líbano. Em paralelo, Arábia Saudita e Kuwait relataram disparos de mísseis e drones atribuídos a Teerã mesmo após o início formal da pausa nos combates.
Nesta quinta, Israel voltou a bombardear alvos no Líbano, acrescentando nova camada de instabilidade a um acordo que, na véspera do anúncio, era acompanhado com o Brent próximo de US$ 110 e o prazo de Trump se encerrando sem solução à vista.
Estreito de Ormuz e o risco de oferta
O fechamento do Estreito de Ormuz durante as tensões acendeu o alerta para possíveis interrupções na oferta global de petróleo. O estreito é passagem obrigatória de parcela expressiva da produção do Golfo Pérsico. Com a continuidade da trégua em xeque, o Brent atingiu US$ 98,57 por volta das 8h45 (horário de Brasília) — alta de 3,82% em relação ao fechamento anterior.
Ásia em queda; agenda americana no radar
As bolsas asiáticas responderam ao clima de incerteza geopolítica com perdas generalizadas. Xangai recuou 0,72% e o CSI300 caiu 0,64%, enquanto Hong Kong registrou baixa de 0,54% no Hang Seng. No Japão, o Nikkei cedeu 0,73%, e o Kospi, da Coreia do Sul, liderou as perdas com queda de 1,61%. A Austrália foi exceção, com alta de 0,24%.
Nos Estados Unidos, a agenda desta quinta inclui dados de gastos e rendimentos pessoais, além do deflator do PCE — uma das principais referências de inflação monitoradas pelo Federal Reserve. O resultado pode influenciar as expectativas sobre os próximos passos da política monetária americana, reforçando a dupla pressão geopolítica e macroeconômica sobre os mercados neste início de sessão.