A Agência Internacional de Energia (AIE) projeta queda no consumo mundial de petróleo em 2026, puxada por uma crise de oferta sem precedentes desencadeada pela guerra no Oriente Médio.
A previsão é de 104,26 milhões de barris por dia em média — abaixo dos 104,34 milhões registrados em 2025. É o maior recuo desde que a pandemia de Covid-19 contraiu o uso global de combustíveis.
No segundo trimestre de 2026, o tombo deve ser ainda mais acentuado: a AIE estima consumo de 102,07 milhões de barris por dia, uma retração de 1,5 milhão em relação ao mesmo período do ano anterior.
As quedas mais expressivas foram registradas no Oriente Médio e na Ásia-Pacífico, especialmente no combustível de aviação e no gás de petróleo liquefeito (GLP), amplamente utilizado para cozinhar nessas regiões, de acordo com a agência.
Oferta despenca com ataques ao Golfo
Em março, a oferta global recuou 10,1 milhões de barris por dia, chegando a 97 milhões — reflexo direto dos ataques às infraestruturas de energia do Golfo e das restrições de abastecimento no Estreito de Ormuz.
A queda no consumo prevista pela AIE é consequência direta do bloqueio do Estreito de Ormuz — que a própria agência já havia classificado como a maior crise de fornecimento de petróleo da história, superando os choques de 1973, 1979 e 2022 somados.
Para tentar conter a queda na oferta, a AIE liberou 400 milhões de barris de reservas estratégicas em março — a maior operação do tipo em 50 anos — e não descartava uma segunda rodada de liberações.
Rússia dobra receitas enquanto mundo enfrenta escassez
Enquanto o restante do mundo sofre com a escassez, a Rússia colhe dividendos da crise. As receitas do país com exportações de petróleo dobraram de fevereiro para março, saltando de US$ 9,7 bilhões para US$ 19 bilhões — impulsionadas pela alta dos preços e pelo avanço das exportações de petróleo bruto e derivados.
O colapso no fornecimento já derrubou 13% do fluxo diário global de petróleo, segundo o FMI, que projeta impacto direto no crescimento mundial. A entidade alerta ainda para o aumento da insegurança alimentar como efeito cascata da crise energética — risco especialmente grave para países em desenvolvimento dependentes de importações de alimentos e combustível.
A AIE é o principal organismo multilateral de análise do mercado de energia e integra a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
