A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta terça-feira (7) a abertura de consulta pública para o segundo leilão de transmissão de energia de 2026. São 9 lotes, 2.069 quilômetros de novas linhas e R$ 11,3 bilhões em investimentos previstos.
O maior lote do certame é o projeto de interligação elétrica entre Brasil e Colômbia, com R$ 6,74 bilhões em obras — resultado direto de acordo firmado entre os presidentes dos dois países no mês passado.
Corredor de 1.320 km para conectar Brasil e Colômbia
O projeto de interligação internacional concentra mais da metade dos recursos do leilão e envolve obras no Mato Grosso do Sul, Goiás e Paraná. Ao todo, serão 1.320 quilômetros de linhas de transmissão, incluindo um corredor de 500 kilovolts (kV), além de subestações, conversoras e um sistema back-to-back — tecnologia utilizada para conectar redes com frequências ou tensões distintas, como é o caso de interligações internacionais.
O objetivo declarado é aumentar a capacidade remanescente de geração nas regiões atendidas e viabilizar a conexão fronteiriça com o país vizinho, ampliando a integração energética na América do Sul.
Alcance nacional do certame
Além do projeto binacional, o leilão de outubro prevê lotes adicionais distribuídos por 13 estados brasileiros. A capacidade de transformação ofertada soma 13.564 megavolt-ampères (MVA), com compensações síncronas incluídas no pacote.
A consulta pública aprovada nesta terça é a etapa que antecede a elaboração do edital definitivo, abrindo espaço para que agentes do setor elétrico e a sociedade civil apresentem sugestões e críticas ao modelo proposto pela Aneel antes da publicação das regras finais.
O leilão de transmissão de outubro se insere num ciclo de expansão acelerada da infraestrutura elétrica brasileira. Em março, o Brasil contratou 19 GW em geração num leilão histórico avaliado em R$ 64,5 bilhões — e agora o governo avança na malha de transmissão necessária para escoar essa energia até os centros de consumo do país.
A interligação com a Colômbia, em particular, reforça a dimensão diplomática do setor elétrico. O projeto, nascido de acordo presidencial, posiciona o Brasil como polo de integração energética continental, com potencial de exportar excedentes de geração renovável para países vizinhos e diversificar a matriz de comércio de eletricidade da região.
Com R$ 11,3 bilhões previstos apenas neste segundo certame de transmissão do ano, o setor elétrico segue como um dos principais vetores de atração de capital privado no país — sob regras de concessão reguladas pela Aneel e com receitas asseguradas por contratos de longo prazo.
