Economia

Distribuidoras ampliam lucro em até 70% no diesel mesmo com pacote do governo

Ibeps aponta que margens crescem desde 2021 e a guerra no Irã acelerou um processo já em curso
Barris de combustível com tensões do Oriente Médio: como a guerra no Irã amplia margens de lucro do diesel

Enquanto o governo federal anuncia isenções tributárias e subvenções bilionárias para frear a alta do diesel, distribuidoras e postos de combustíveis ampliaram suas margens de lucro em mais de 30% desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro.

Em produtos como o diesel S-10, o avanço chegou a 70%, aponta levantamento do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps) com dados do Ministério de Minas e Energia (MME).

Os dados revelam que a tendência antecede o conflito: a ampliação das margens vem desde 2021, quando as distribuidoras passaram a capturar mais valor ao longo da cadeia de combustíveis.

O economista do Ibeps Eric Gil Dantas aponta dois fatores estruturais para o crescimento das margens. O primeiro foi a adoção do Preço de Paridade de Importação (PPI) pela Petrobras entre 2021 e 2022 — política que simulava o preço de importação e gerou forte volatilidade, com reajustes bruscos nos dois sentidos e margens mais amplas para os elos seguintes da cadeia.

O segundo foi a privatização da BR Distribuidora e da Liquigás, as únicas estatais presentes em setores altamente concentrados. “Com isso, perdeu-se a possibilidade de manter margens mais próximas do aceitável. A BR e a Liquigás tinham grande poder para determinar essas margens e, após serem privatizadas, isso se perdeu”, afirmou Dantas.

Já em meados de março, antes das medidas do governo, postos repassavam altas sem aguardar reajuste oficial da Petrobras — movimento que antecipou o alargamento das margens agora documentado pelo Ibeps.

Para conter a escalada, o governo anunciou isenção de PIS/Cofins sobre o diesel e uma subvenção de até R$ 30 bilhões a produtores e importadores. Mesmo assim, o estudo do Ibeps mostra que as margens cresceram após o anúncio das medidas.

A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis) não respondeu à reportagem. A Associação das Distribuidoras de Combustíveis (Brasilcom) afirmou que “não se manifesta sobre a formação de preços, pois essa é uma questão estratégica de cada associada, sem interferência da entidade”.

Petróleo acima de US$ 100 e efeito em cascata no Brasil

Desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã, o barril de petróleo ultrapassou US$ 100 — o maior nível desde fevereiro de 2022. O Irã controla o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo. Com o fluxo reduzido pelo conflito, a oferta global cai e os preços disparam no mercado internacional.

No Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) registrou alta de quase 20% no preço médio do litro do diesel nos postos em cerca de 15 dias. O combustível caro eleva o custo do frete e encarece alimentos, produtos industriais e serviços ao longo de toda a cadeia logística.

O agronegócio é atingido em duas frentes: no custo de operação das máquinas agrícolas e nos fertilizantes químicos. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que adubos e fertilizantes responderam por 93,5% do total importado pelo Brasil do Irã em janeiro deste ano.

Enquanto distribuidoras e postos ampliam margens, a Petrobras enfrenta a pressão de não provocar novo choque ao consumidor com reajustes nos preços internos, mesmo com o petróleo em alta no mercado internacional. As termelétricas também sentem o impacto: acionadas em períodos de estiagem, dependem de combustíveis cujo custo está em forte alta.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Agro brasileiro abre 29 mercados em 9 países na primeira quinzena de abril

Lula defende democracia em Barcelona diante do avanço autoritário global

EUA renovam por 30 dias licença para compra de petróleo russo

Petrobras corta 10% do diesel para maio e descarta importações