Economia

Li Qiang promete abertura econômica e mira protecionismo sem citar Trump

Premiê chinês discursou a executivos globais em Pequim enquanto a guerra tarifária com Washington se intensifica
Mapa da China em vermelho e Trump, simbolizando a abertura econômica frente à guerra comercial

O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, prometeu neste domingo (22) ampliar a abertura econômica do país e importar mais produtos estrangeiros de alta qualidade — sinalizando disposição ao diálogo sem citar explicitamente a guerra comercial com os Estados Unidos.

O discurso aconteceu na abertura do Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, diante de grandes nomes como o CEO da Apple, Tim Cook, e executivos de HSBC, UBS e Standard Chartered.

No Fórum de Desenvolvimento da China — evento anual que reúne líderes empresariais globais —, Li Qiang declarou que o país “promoverá de forma decidida uma abertura de alto nível, importará mais bens estrangeiros de alta qualidade e trabalhará com todas as partes para promover um desenvolvimento otimizado e equilibrado do comércio”.

A promessa vem em um momento delicado para a economia chinesa. As exportações cresceram 21,8% nos dois primeiros meses do ano, segundo dados oficiais — um desempenho que, paradoxalmente, alimenta as críticas de parceiros comerciais que cobram a redução do elevado superávit do país.

Li também criticou diretamente o avanço do unilateralismo e do protecionismo, descrevendo essas práticas como algo que “não são solução para os problemas”. A escolha de não nomear Washington foi deliberada — mas a plateia, composta por executivos de multinacionais ocidentais, não teve dificuldade em identificar o alvo.

O discurso acontece na esteira de um cenário econômico adverso que o próprio premiê reconheceu no início do mês, quando a China anunciou sua menor meta de crescimento em mais de três décadas — reflexo direto das pressões comerciais com Washington.

O pano de fundo do pronunciamento é a guerra comercial que se intensificou ao longo do último ano. O presidente norte-americano Donald Trump impôs tarifas unilaterais a uma série de países, entre eles a China, gerando retaliações e incerteza nos mercados globais.

Em março, o governo Trump abriu investigações comerciais contra 16 países, incluindo a China, usando a Seção 301 para pavimentar uma nova rodada de tarifas — o que torna a ofensiva diplomática de Pequim ainda mais urgente.

A estratégia de Li Qiang no fórum — prometer abertura sem nomear o adversário — é leitura recorrente na diplomacia chinesa, que prefere posicionar Pequim como defensora do multilateralismo enquanto mantém canais de negociação abertos com Washington.

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