Negócios

China renuncia ao status de país em desenvolvimento para apoiar reformas na OMC

Decisão ocorre em meio a pressão dos Estados Unidos e busca fortalecer sistema global de comércio

A China anunciou que deixará de solicitar tratamento diferenciado como país em desenvolvimento nos acordos da OMC. A medida, divulgada pelo Ministério do Comércio, visa fortalecer o sistema global diante de disputas tarifárias e protecionismo.

Embora não cite diretamente os Estados Unidos ou as tarifas de Donald Trump, a decisão é interpretada nesse contexto. O anúncio foi feito pelo premiê Li Qiang, em Nova York, durante fórum da Assembleia Geral da ONU.

Contexto internacional e pressões sobre a China

Há anos, os Estados Unidos pressionam para que a China abra mão do status de país em desenvolvimento na Organização Mundial do Comércio. Por ser a segunda maior economia do mundo, os EUA argumentam que a China não deveria usufruir das regras mais flexíveis e prazos estendidos garantidos a países em desenvolvimento nos acordos da OMC.

O sistema da OMC, com sede em Genebra, tem enfrentado desafios e sua eficácia vem sendo questionada, o que motivou pedidos crescentes por reformas. A decisão chinesa foi elogiada pela direção da organização, que a classificou como “uma notícia de grande importância para a reforma da OMC” e agradeceu ao país em publicação na rede X.

Segundo Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da OMC, “este é o resultado de muitos anos de trabalho árduo”.

Implicações e posicionamento chinês

Apesar da mudança, a China ainda se autodeclara um país de renda média e, conforme o Ministério do Comércio, segue integrando o grupo de nações em desenvolvimento. Nos últimos anos, o país se tornou importante fonte de empréstimos e apoio técnico para nações que buscam desenvolver infraestrutura, como estradas, ferrovias e barragens, geralmente executadas por estatais chinesas.

O anúncio foi feito pelo premiê Li Qiang na terça-feira, em Nova York, durante um fórum de desenvolvimento promovido pela China na reunião anual da Assembleia Geral da ONU. A decisão é vista como uma tentativa de fortalecer o papel da OMC e de responder às políticas protecionistas, especialmente as tarifas impostas pelos EUA sob o governo Trump.

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