O governo Lula prepara o segundo envio de ajuda humanitária a Cuba em menos de um mês. A remessa aérea, com medicamentos e alimentos não perecíveis, parte de Brasília neste fim de semana.
Há cerca de 15 dias, o Brasil já havia enviado uma remessa de remédios à ilha. Desta vez, a carga se amplia com alimentos, em resposta à crise que se aprofunda no país caribenho.
A operação foi articulada pelo Planalto com apoio dos ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Agrário, sob comando de Alexandre Padilha e Paulo Teixeira.
O que segue na carga
Os principais itens da remessa são medicamentos da atenção básica — antibióticos, analgésicos e insumos hospitalares —, além de alimentos não perecíveis destinados a reforçar a segurança alimentar da população cubana.
Na abertura da Conferência Regional da FAO, há cerca de dez dias, o ministro Paulo Teixeira — um dos responsáveis pela atual remessa — já havia confirmado que o Brasil pretendia enviar ajuda a Cuba por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza. Leia mais sobre o compromisso firmado na conferência da FAO.
Em março, o Brasil também enviou medicamentos à Bolívia. Em outras ocasiões, já destinou ajuda a Haiti e Jamaica — padrão que consolida a atuação humanitária do governo Lula na América Latina.
Trump e o bloqueio intensificado
O agravamento da crise cubana está diretamente ligado à política de pressão máxima adotada por Donald Trump. Nesta semana, o presidente americano afirmou a jornalistas na Casa Branca que acredita ter a “honra” de tomar Cuba. Dias antes, Trump já havia dito que uma tomada de controle da ilha poderia ser ‘amigável ou não’.
A estratégia envolve restrições ao envio de petróleo, pressão sobre outros países para não abastecerem a ilha e novas barreiras comerciais e financeiras — medidas que reduziram drasticamente o acesso cubano a energia, crédito e comércio internacional.
Cuba em colapso
As consequências do bloqueio são visíveis no cotidiano: apagões frequentes, escassez de combustíveis e colapso nos serviços essenciais. A urgência da ajuda brasileira fica clara quando se recorda que, há menos de duas semanas, dois terços de Cuba ficaram sem luz por mais de 16 horas após uma falha na principal usina termelétrica da ilha — reflexo direto das restrições de combustível impostas por Washington.
O envio desta semana representa o segundo ato concreto do Brasil em resposta à crise e sinaliza que o governo Lula tende a manter a cooperação com Havana enquanto a pressão americana sobre a ilha seguir se intensificando.