O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quarta-feira (4) da abertura da Conferência Regional da FAO para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.
O fórum define as prioridades da organização para 2026 e 2027, com foco no combate à fome e à má nutrição na região. O evento reuniu ministros e autoridades de países latino-americanos e caribenhos, além do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu.
A crise humanitária em Cuba ocupou espaço central nas discussões. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira — co-presidente da conferência —, confirmou que o Brasil pretende enviar ajuda à ilha e ao Haiti por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
A cooperação prevê apoio para compra de insumos destinados à produção de alimentos e o envio direto de mantimentos. Cuba atravessa grave escassez desde que os Estados Unidos passaram a bloquear o envio de combustíveis venezuelanos ao país após a captura do ditador Nicolás Maduro.
Na semana passada, o Departamento do Tesouro norte-americano sinalizou que vai autorizar empresas a solicitar licença para revender petróleo venezuelano a Cuba — medida que pode aliviar parcialmente a crise de combustível na ilha. Por mais de 25 anos, a Venezuela foi a principal fornecedora de petróleo a Cuba por meio de um acordo bilateral.
Além do ministro Teixeira, representou o Brasil no evento o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro.
O ministro Paulo Teixeira também defendeu que a reforma agrária integre as estratégias regionais de combate à fome. A proposta, apresentada inicialmente pela Colômbia, passou a contar com apoio formal do governo brasileiro na conferência.
A inclusão do tema na agenda da FAO para a América Latina e o Caribe representa uma inflexão na abordagem regional: em vez de focar apenas em distribuição emergencial de alimentos, o debate avança para a estrutura fundiária como vetor de segurança alimentar de longo prazo.
A conferência da FAO serve como principal fórum regional para alinhar políticas entre países membros antes das deliberações globais da organização. As decisões tomadas em Brasília devem balizar investimentos e cooperações técnicas nos próximos dois anos.