O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu nesta terça-feira (17) com o ministro Alexandre de Moraes, do STF, para reforçar pessoalmente o pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
A defesa apresentou também um novo requerimento formal ao ministro, apoiado em laudo médico atualizado que aponta para a possibilidade de novos episódios graves de saúde.
Moraes recebeu os advogados, mas não estabeleceu prazo para decidir.
O novo pedido é uma retomada urgente de uma batalha jurídica com resposta negativa recente. Em 9 de março, Moraes havia rejeitado pedido semelhante com base em laudo da PF que registrou 144 atendimentos médicos em 39 dias — decisão que a defesa agora pede ao ministro que reconsidere.
Na petição, os advogados citam relatório médico da equipe clínica de Bolsonaro que descreve um quadro composto por pneumonias aspirativas recorrentes, refluxo gastroesofágico persistente, apneia obstrutiva do sono grave, instabilidade postural e uso contínuo de múltiplas medicações.
Segundo os defensores, o ex-presidente precisa de “monitoramento clínico frequente” — condição que, argumentam, não é plenamente garantida no 19º Batalhão do Exército, onde Bolsonaro está detido por tentativa de golpe de Estado.
Flávio descreveu o encontro como técnico e direto: “Foi uma conversa objetiva, como advogados que pediram uma audiência com o juiz da causa. Expusemos as nossas razões e ele ficou de avaliar esse novo pedido.”
O novo pedido foi apresentado quatro dias depois de Bolsonaro passar mal na Papudinha e ser transferido ao DF Star com pneumonia bacteriana — episódio decorrente de broncoaspiração que acendeu o alerta da defesa e forneceu o argumento concreto da petição.
Na sexta-feira (13), o ex-presidente precisou de atendimento emergencial e foi levado a um hospital privado de Brasília, onde recebeu tratamento para a infecção pulmonar.
Os advogados reconhecem que a estrutura montada no 19º Batalhão para atendimento a Bolsonaro é adequada e que ele foi prontamente atendido no episódio anterior. Contudo, insistem que a boa infraestrutura não elimina a fragilidade clínica do paciente — argumento que sustenta o pedido de transferência para o regime domiciliar.
Moraes não sinalizou em qual direção caminha sua avaliação nem quando pretende responder à defesa.