Economia

Estados recusam corte do ICMS e dizem que desconto não chega ao consumidor

Comsefaz cita estudo que mostra absorção de margem pelas distribuidoras e alerta para risco de dupla perda à população

O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda dos Estados (Comsefaz) anunciou nesta terça-feira (17) que não vai reduzir o ICMS sobre combustíveis, rejeitando a pressão por novas desonerações após o governo federal zerar PIS e Cofins sobre o diesel.

A justificativa: cortes no imposto estadual, na avaliação do Comitê, não chegam ao consumidor final — e ainda retirariam recursos essenciais para saúde, educação e segurança pública.

A decisão amplia o impasse tributário em meio à escalada do petróleo acima de US$ 100 por barril, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.

O argumento da dupla perda

O Comsefaz fundamenta a recusa em pesquisa do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás e Biocombustíveis (Ineep), divulgada no fim de 2025, segundo a qual “parte relevante do esforço tende a ser absorvida ao longo da cadeia de distribuição e revenda, limitando seu efeito nas bombas”.

Na avaliação do Comitê, cortar o ICMS criaria uma dupla perda à população: sem receber o desconto esperado nas bombas e ainda suportando a supressão de receitas públicas essenciais para serviços como saúde e educação.

Na semana anterior, o governo federal publicou decreto que regulamentou a subvenção ao diesel e zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível — exatamente as medidas que os estados agora se recusam a complementar com cortes no ICMS.

O Ministério da Fazenda garantiu que a renúncia federal não gerará perda de arrecadação: a queda nas alíquotas será compensada pelo aumento do imposto de exportação sobre o petróleo, preservando a meta de superávit prevista pela regra fiscal vigente.

A Senacon já havia acionado o Cade para investigar distribuidoras que repassavam altas aos postos sem esperar a Petrobras — evidência concreta de que a cadeia absorve margens independentemente das decisões tributárias, reforçando o argumento dos governadores.

Petróleo acima de US$ 100 e revisão do IPCA

O pano de fundo da disputa é a guerra no Oriente Médio. Após ataques coordenados de Estados Unidos e Israel contra alvos estratégicos no Irã — incluindo a morte do líder supremo Ali Khamenei —, Teerã respondeu com mísseis contra bases americanas e infraestruturas aliadas na região.

O conflito atingiu em cheio o Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quarto do petróleo global. Com a paralisação de petroleiros e a ameaça constante de novos ataques, o barril saltou de US$ 72 para acima de US$ 100.

A Petrobras ainda não anunciou reajustes, mas a pressão já se reflete nas expectativas do mercado. Com o barril acima de US$ 100, o mercado já revisou a projeção do IPCA de 2026 para 4,10% — cenário que torna ainda mais sensível qualquer decisão sobre renúncia fiscal nos combustíveis.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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