Publicações falsas que atribuem ao governo Lula a intenção de cobrar R$ 10 por corrida de entregadores de aplicativo circularam nas redes sociais. A alegação é mentira.
A Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) desmentiu o conteúdo ao ser consultada pelo Fato ou Fake, serviço de checagem do Grupo Globo.
O boato distorce uma discussão real que tramita no Congresso. O governo federal defende um piso mínimo de R$ 10 por corrida no PL dos apps — proposta que regulamenta o trabalho de motoristas e entregadores por plataforma digital. Esse valor, que viralizou nas redes como “taxa sobre entregadores”, é na prática uma garantia salarial mínima, não uma cobrança imposta aos trabalhadores.
O impasse em torno desse piso mínimo é exatamente o que trava a votação da lei dos apps de transporte na Câmara. O relator da matéria manteve R$ 8,50 por entrega e não acatou o pedido do governo pelo valor maior, deixando a proposta em compasso de espera.
A distorção não surgiu do nada. A oposição já vinha tentando associar o PL dos apps ao encarecimento das entregas para o consumidor — o mesmo tipo de narrativa que pavimentou o caminho para o boato sobre a suposta “taxação” dos entregadores.
A fake news replica um padrão recorrente nas redes: pegar um dado real de um debate legislativo e transformá-lo em munição política. Neste caso, o piso mínimo por corrida — defendido justamente para garantir renda aos trabalhadores — foi reapresentado como uma nova cobrança imposta a eles.