Economia

Japão e Alemanha liberam reservas de petróleo para conter alta dos combustíveis

Bloqueio no Estreito de Ormuz elevou WTI a US$ 88 e Brent a US$ 92; AIE pode anunciar liberação recorde

Japão e Alemanha decidiram liberar suas reservas estratégicas de petróleo nesta quarta-feira (11) para frear a alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio e pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, rota por onde transita 20% do petróleo e do GNL mundiais.

O petróleo voltou a subir após ataques a navios na região. O barril WTI chegou a quase US$ 88, alta de 6%, enquanto o Brent atingiu pouco mais de US$ 92, com valorização de 5%.

A decisão japonesa foi anunciada pela primeira-ministra Sanae Takaichi, que adiantou a liberação para 16 de março antes de qualquer deliberação formal da Agência Internacional de Energia (AIE).

Ação unilateral antes da decisão da AIE

A primeira-ministra Takaichi declarou à imprensa que o Japão decidiu agir sem aguardar uma decisão oficial da AIE sobre a liberação coordenada das reservas internacionais, com o objetivo de aliviar a oferta e a demanda no mercado internacional de energia. A injeção começa em 16 de março.

Uma fonte do governo alemão confirmou à AFP que Berlim adotará medida similar, sem revelar volumes ou prazos. O ministro francês da Economia, Roland Lescure, classificou as iniciativas como parte de uma reflexão extremamente coordenada entre os países.

A pressão sobre os mercados acumulou-se rapidamente: em apenas uma semana, o petróleo havia disparado cerca de 30%, com aproximadamente 300 navios parados à espera de condições seguras para cruzar o Estreito de Ormuz.

Proposta histórica da AIE ao G7

A iniciativa de Tóquio e Berlim vem em resposta ao pedido formal da AIE ao G7 por uma liberação coordenada de reservas — que, segundo o Wall Street Journal, superaria os 182 milhões de barris disponibilizados após a invasão russa da Ucrânia em 2022.

A proposta foi apresentada em reunião de emergência na terça-feira (10) com funcionários de alto escalão dos 32 países membros da AIE. Uma decisão formal era esperada ainda nesta quarta-feira.

Videoconferência do G7 definirá resposta coletiva

A videoconferência do G7 prevista para esta quarta-feira havia sido convocada em regime de emergência dias antes, quando o petróleo já superava US$ 100 e as bolsas asiáticas registravam quedas superiores a 5%. Os chefes de Estado e de Governo devem deliberar sobre o uso coordenado das reservas estratégicas do bloco.

Japão e Alemanha integram o G7, o que reforça a leitura de que as ações unilaterais anunciadas nesta quarta-feira funcionam como sinalização política antes de uma decisão formal conjunta.

Se confirmada, a liberação proposta pela AIE seria a maior de sua história — superando o recorde de 182 milhões de barris injetados em 2022, quando os países membros responderam à invasão russa da Ucrânia e ao choque que se seguiu nos preços da energia global.