Política

Câmara pede à PGR que avalie investigação da trend ‘caso ela diga não’

Requerimento aprovado na Comissão de Segurança Pública enquanto PF já abriu inquérito e derrubou perfis

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (10), requerimento solicitando à Procuradoria-Geral da República (PGR) que avalie abrir investigação sobre os autores da trend ‘caso ela diga não’.

Os vídeos viralizaram nas redes sociais com homens simulando reações violentas — portando armas, facas e executando golpes de luta — diante da possibilidade de uma mulher recusar pedido de namoro ou casamento.

A Polícia Federal já derrubou perfis ligados ao conteúdo e abriu inquérito para investigar a propagação dos vídeos, que incitam violência contra mulheres.

O que pede o requerimento

O requerimento é de autoria do deputado Pedro Campos (PSB-PE) e foi aprovado de forma simbólica — por acordo entre os parlamentares. Como indicação, o instrumento é uma sugestão de ação sem caráter vinculante; a decisão final sobre abrir ou não investigação cabe à PGR.

Além do combate ao feminicídio, Campos afirmou que o objetivo é “puxar a orelha” das redes sociais, pressionando plataformas a agir com mais rigor sobre conteúdos que incitam violência de gênero.

O que mostram os vídeos

Na trend, os criadores simulavam situações de abordagem romântica — normalmente um pedido de namoro ou casamento. Em seguida, a legenda ‘treinando caso ela diga não’ ou variações semelhantes introduzia a próxima cena.

Depois, os autores encenavam reações agressivas: socos em objetos, movimentos de luta ou golpes com faca. Em muitos vídeos, os homens aparecem portando armas de fogo.

O TikTok removeu ao menos 20 posts mapeados pela imprensa, após receber os links identificados pela reportagem na segunda-feira (9). Ainda assim, os perfis dos criadores seguiram no ar mesmo após as remoções e a pressão policial, situação que já gerava críticas antes da votação na comissão.

A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal confirmou a abertura de inquérito e a derrubada dos perfis ligados à trend. A informação foi confirmada ao blog da jornalista Julia Duailibi. A corporação iniciou uma ofensiva para desarticular a propagação dos conteúdos nas plataformas.

O TikTok afirmou, em nota, que os conteúdos violam as regras da plataforma e foram removidos após identificação — mas não apresentou explicação para a manutenção dos perfis dos criadores.

A trend ganhou força no final de 2025, período em que o Brasil registrou o maior número de feminicídios da série histórica. O Tropiquim já havia mapeado como esses vídeos se espalharam e o que especialistas dizem sobre a moderação das plataformas, acompanhando o fenômeno desde os primeiros registros.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Ministério da Justiça notifica TikTok sobre trend que simula violência contra mulheres

PF investiga trend misógina e aponta lacuna jurídica para punir criadores

Machosfera usa sofrimento masculino para propagar misoginia, alerta ONU Mulheres

Trend brasileira ‘caso ela diga não’ choca imprensa francesa e expõe violência no TikTok

TikTok viraliza vídeos que simulam agressão a mulheres após rejeição amorosa

Câmara pede à PGR investigação de vídeos que simulam violência após rejeição