O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou nesta segunda-feira (9) que 11 países solicitaram a Kiev orientações sobre como combater os drones iranianos lançados pelo Oriente Médio.
Segundo Zelensky, algumas dessas solicitações já foram respondidas com "decisões concretas e apoio específico" — reflexo da expertise em defesa aérea acumulada em quatro anos de guerra contra a Rússia.
Da linha de frente ao mercado global
A Ucrânia se tornou, por necessidade, uma das nações mais avançadas do mundo em defesa contra drones. O sistema desenvolvido por Kiev foi forjado sob pressão real: a Rússia lançou ataques diários com enxames de projéteis, muitos deles de fabricação iraniana — os mesmos modelos que Teerã agora utiliza como arma de retaliação no Oriente Médio.
A expertise ucraniana tem origem prática: os mesmos drones Shahed que Teerã lança pelo Oriente Médio são os que a Rússia passou a produzir em versões próprias para atacar cidades ucranianas — como no bombardeio que matou sete em Kharkiv no fim de semana.
Conflito no Oriente Médio no 10º dia
A guerra travada por EUA e Israel contra o Irã completou dez dias nesta segunda. Os ataques retaliatórios iranianos contra bases americanas se espalharam pela região, obrigando países do Golfo Pérsico a acionarem suas defesas aéreas. Incidentes foram registrados também na Turquia, no Chipre e no Azerbaijão.
A demanda pela experiência ucraniana ganha peso estratégico num momento em que o conflito no Oriente Médio queima quase US$ 900 milhões por dia em munição americana, com o Irã usando a mesma lógica de enxames de drones baratos que a Rússia já empregou para corroer as defesas ucranianas.
O padrão que emergiu na guerra russo-ucraniana — drones de baixo custo saturando sistemas de defesa caros — ganhou escala global. A situação coloca Kiev em posição inédita: de receptor de apoio militar ocidental a exportador de conhecimento estratégico em defesa aérea.
Zelensky não divulgou quais são os 11 países que fizeram as solicitações.