O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu governo investiga a destruição de uma escola de meninas em Minab, no sul do Irã — ocorrida no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
O ataque matou 175 pessoas, a maioria crianças. Pressionado em coletiva nesta segunda-feira (9), Trump se pronunciou pela primeira vez sobre o caso e nega que os EUA tenham mirado a escola.
Vídeo confronta a versão americana
Horas antes da declaração de Trump, a agência iraniana Mehr divulgou imagens que mostram um míssil de cruzeiro Tomahawk atingindo uma base naval da Guarda Revolucionária do Irã — situada ao lado da escola primária destruída.
O jornal The New York Times verificou o material e reuniu um conjunto de evidências — incluindo imagens de satélite e outros vídeos — que indicam que o prédio foi atingido em um ataque de precisão. A análise do NYT com imagens de satélite documentou como a escola foi destruída durante o ataque americano à base naval vizinha, tornando o episódio o mais letal com civis desde o início do conflito.
O governo americano nega ter mirado a escola e responsabiliza o Irã. No sábado (7), Trump afirmou que, com base no que havia visto, o Irã teria atingido o colégio por ser muito impreciso com suas munições.
Dois dias antes de Trump se pronunciar, o secretário de Defesa Pete Hegseth já havia confirmado que o Pentágono investigava o episódio — e uma apuração interna das Forças Armadas já apontava os próprios EUA como prováveis responsáveis pelo ataque.
ONU alerta para risco de crime de guerra
A Organização das Nações Unidas pediu uma investigação independente sobre o caso. Segundo o direito internacional humanitário, atacar deliberadamente uma escola, hospital ou outra estrutura civil pode configurar crime de guerra.
Caso a participação dos EUA seja confirmada, o ataque em Minab poderá figurar entre os episódios com maior número de vítimas civis em décadas de conflitos americanos no Oriente Médio.
Na semana passada, a TV estatal iraniana exibiu imagens do funeral das meninas que estudavam no colégio. Os caixões, cobertos com bandeiras do Irã, foram transportados em caminhão em meio a uma grande multidão até o cemitério da cidade.