Tecnologia

Hackers ligados ao Irã executam ciberataque massivo contra a Stryker

Grupo Handala extrai 50 terabytes de dados e cita bombardeio de escola feminina como motivo

Um grupo de hackers vinculado ao Irã executou nesta quarta-feira (11) um ciberataque em larga escala contra a Stryker, uma das maiores fabricantes de dispositivos médicos do mundo.

O coletivo Handala afirmou ter destruído mais de 200 mil sistemas e extraído 50 terabytes de dados da empresa, com presença em 79 países.

O grupo declarou que a operação foi retaliação à ofensiva militar israelense-americana contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro.

O que a Stryker confirmou

A empresa americana admitiu ter sofrido uma “interrupção global da rede” em seu ambiente Microsoft, classificando o evento como resultado de um ciberataque. Em comunicado, afirmou não ter “indícios de ransomware ou malware” e que acredita que o incidente está “contido”. As interrupções começaram logo após a 1h00 (horário de Brasília), segundo fontes ouvidas pelo The Wall Street Journal.

Dispositivos com Windows — incluindo smartphones conectados às redes da empresa — foram apagados remotamente, de acordo com o relatório do grupo. O Handala afirmou que todos os dados roubados estão “nas mãos dos povos livres do mundo”.

Quem é a Stryker

Fundada em Kalamazoo, Michigan, a Stryker é uma gigante global com cerca de 56 mil funcionários e receita projetada de US$ 25,12 bilhões em 2025 — cerca de R$ 138 bilhões. A empresa fabrica desde implantes ortopédicos e instrumentos cirúrgicos até leitos hospitalares e sistemas de cirurgia robótica, atuando em dezenas de países.

Handala: quem é o grupo por trás do ataque

O Handala é monitorado há anos pela empresa israelense de cibersegurança Check Point, cujo chefe de inteligência confirmou a ligação do grupo com o regime iraniano. Um relatório do Google Threat Intelligence publicado no início de 2026 apontou que o coletivo ampliou suas operações para incluir doxxing — exposição pública de dados privados — e táticas voltadas a “promover medo, incerteza e dúvida”.

Nas semanas anteriores ao ataque à Stryker, o grupo já havia reivindicado invasões a empresas israelenses e do Golfo Pérsico, além de alegar ter “acesso total” às câmeras de segurança de Jerusalém.

O grupo Handala afirmou que o ciberataque foi retaliação direta ao bombardeio de uma escola feminina em Minab — episódio que os próprios militares americanos admitiram estar investigando como possível erro. Saiba mais sobre o ataque à escola feminina no Irã.

Enquanto o Irã vivia um apagão digital de mais de 120 horas imposto pela ofensiva, hackers vinculados ao regime operavam do exterior contra infraestruturas americanas e israelenses. Entenda como o Irã cortou a internet durante a ofensiva.

O grupo também anunciou ter atacado a Verifone, empresa especializada em pagamentos eletrônicos. A AFP não conseguiu verificar de forma independente as afirmações do grupo, e a Verifone não respondeu ao pedido de comentários.

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