Política

Câmara aprova PEC da Segurança Pública com 487 votos e sem maioridade penal

Proposta cria Sistema Único de Segurança e segue para 2º turno; redução da idade penal foi separada do texto

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (4) o texto-base da PEC da Segurança Pública em 1º turno, por 487 votos a 15. A proposta redesenha o sistema de segurança pública e o combate ao crime organizado no Brasil.

O texto ainda precisa passar pelo 2º turno antes de ser enviado ao Senado. A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos foi retirada da proposta e deve ser debatida em outra PEC, apenas após o ano eleitoral.

A votação ocorreu diretamente no plenário por decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que dispensou a comissão especial.

O que a PEC estabelece

A proposta constitucionaliza o Sistema Único de Segurança Pública, integrando o combate ao crime organizado entre União, estados, Distrito Federal e municípios. O modelo distribui responsabilidades entre os entes federativos — alternativa à tentativa inicial de centralizar o comando na União, que encontrou resistência de governadores e da oposição.

O texto inclui o Fundo Nacional de Segurança Pública e o Fundo Penitenciário Nacional na Constituição. A União ficará obrigada a repassar 50% de cada fundo a estados e municípios.

Outra mudança relevante é a atribuição expressa à Polícia Federal do combate a crimes praticados por organizações criminosas e milícias com repercussão interestadual ou internacional. Polícias municipais também passam a integrar formalmente o rol constitucional de órgãos de segurança pública.

O que foi retirado do texto

Dois pontos centrais foram excluídos durante a negociação. A coordenação federal da segurança pública — núcleo da proposta original — foi abandonada após resistência de governadores e da oposição, que defendiam o modelo compartilhado com os estados.

A redução da maioridade penal saiu por iniciativa do presidente Hugo Motta, que convenceu o relator Mendonça Filho (União-PE) a separar o tema. Líderes do centrão alertaram que o ponto contaminaria o debate e poderia travar a proposta no Senado, deixando o desgaste apenas para a Câmara. Para garantir a votação, Motta utilizou mecanismo regimental que permitiu levar o texto diretamente ao plenário, dispensando a comissão especial e acelerando o rito legislativo.

Maioridade penal: debate adiado, não encerrado

A exclusão do tema do texto não representa o fim do debate. Motta sinalizou que a questão será tratada em uma PEC própria após o ciclo eleitoral — estratégia que reduz o desgaste político imediato da Câmara em relação a um ponto de aprovação incerta no Senado.

A retirada do trecho encontrou respaldo técnico: especialistas já vinham alertando que a literatura criminológica internacional não oferece evidências de que a redução da maioridade penal produza queda sustentável na criminalidade.

A proposta segue para 2º turno na Câmara antes de ser submetida ao Senado, onde deverá enfrentar novo ciclo de negociações. O placar expressivo — 487 a 15 — sinaliza consenso em torno do núcleo da proposta, ainda que os pontos mais polêmicos tenham sido deliberadamente adiados para outro momento legislativo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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