No Brasil, o cultivo da cannabis sativa permanece proibido, exceto com autorização judicial, restringindo seu uso medicinal e científico.
Pessoas que dependem do medicamento enfrentam preconceito, afetando relações pessoais e o acesso ao tratamento.
Profissionais da saúde relatam resistência de famílias, que preferem procedimentos invasivos a medicamentos à base de maconha.
Preconceito e desafios no uso medicinal
Apesar de a cannabis sativa ser capaz de gerar mais de 1800 produtos, o Brasil mantém restrições severas ao seu cultivo. A autorização judicial é obrigatória tanto para o plantio medicinal quanto para pesquisas científicas, dificultando o acesso ao tratamento e o avanço dos estudos.
Com a permissão recente para uso terapêutico, a maconha voltou a ser considerada em tratamentos, mas o estigma persiste. Camila Moraes, diretora administrativa da Abrace e paciente com convulsões, relata: “A partir do momento que o meu remédio passou a ser esse, eu perdi meus amigos, perdi o contato com a minha família”.
O neurocirurgião Pedro Pierro afirma que, ao tratar crianças com epilepsia, muitos pais optam por cirurgias cerebrais em vez de medicamentos à base de maconha. Segundo Pierro, é comum ouvir: “Doutor, abre a cabeça do meu filho, mas não dá maconha para ele”.
Potencial da cannabis e limitações atuais
Os canabinoides, substâncias extraídas da maconha, têm aplicação no tratamento de dor oncológica, depressão e para idosos que necessitam ganhar peso. O neurocirurgião Pedro Pierro destaca: “O que faz ele virar um veneno é a forma como se usa, fumar faz mal”.
Além do uso medicinal, a maconha pode ser transformada em fibra e combustível, mostrando seu potencial multifuncional. No entanto, o preconceito social e as barreiras legais continuam limitando o desenvolvimento de produtos e pesquisas no Brasil.