Uma autoridade do Hamas declarou que o grupo não recebeu formalmente o plano de paz para Gaza apresentado pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A proposta, divulgada pela Casa Branca, já foi aceita por Israel, mas o Hamas aguarda o envio do documento para análise.
Segundo o grupo, apenas informações verbais sobre o plano foram compartilhadas até o momento. A expectativa é que, após o recebimento oficial, o Hamas avalie e responda à proposta.
Reações do Hamas e dos mediadores
O representante do Hamas destacou que o grupo não teve acesso a nenhum documento formal detalhando as propostas de Trump para a região. Um membro da cúpula do grupo, sob anonimato, afirmou à AFP: “Não recebemos a proposta de Trump. Vamos analisá-la e responder quando a recebermos”. Mahmoud Mardawi, dirigente do Hamas, reforçou em entrevista à Al Jazeera que nenhuma versão escrita havia sido enviada pelo governo dos EUA.
Por outro lado, a agência Reuters informou que o primeiro-ministro do Catar e o chefe da inteligência do Egito compartilharam a proposta com o Hamas, segundo uma autoridade com conhecimento do assunto. Negociadores do grupo, que participam das conversas para um cessar-fogo, disseram aos mediadores que vão analisar o plano e fornecer uma resposta, sem prazo definido.
Contexto do plano de paz
Anunciado nesta segunda-feira (29), o plano de paz de Trump para Gaza busca resolver o conflito entre Israel e o Hamas, propondo cessar-fogo, reconstrução e novas formas de governança. Apesar da aceitação por parte de Israel, o plano enfrenta críticas e rejeição de várias partes envolvidas.
Detalhes do plano de paz apresentado pelos EUA
Principais pontos da proposta
A proposta prevê a criação de um conselho internacional, o “Conselho da Paz”, presidido por Trump, e a participação de figuras como o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. O plano inclui anistia para integrantes do Hamas que entregarem as armas e a possibilidade de criação de um Estado palestino.
Entre as medidas, estão o fim imediato da guerra, troca de reféns e prisioneiros, entrada de ajuda humanitária e reconstrução de Gaza com apoio internacional. Um comitê palestino tecnocrático e apolítico assumiria a gestão local, sob supervisão do conselho internacional. A desmilitarização da região e a destruição de túneis seriam monitoradas internacionalmente, com anistia e passagem segura para membros do Hamas que optarem por deixar Gaza.
O plano também prevê uma Força Internacional de Estabilização para treinar a polícia palestina e a retirada gradual de Israel, mantendo apenas um perímetro de segurança temporário. Caso o Hamas rejeite a proposta, Trump afirmou que os EUA apoiarão medidas militares para eliminar o grupo. O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que Israel avançará na ofensiva se o Hamas não aceitar os termos.