Donald Trump pressionou a Turquia a suspender a compra de petróleo e gás da Rússia durante reunião com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, na Casa Branca nesta quinta-feira (25). O encontro abordou ainda tarifas comerciais, sanções e a guerra na Ucrânia.
Trump anunciou novas tarifas sobre produtos farmacêuticos, móveis e caminhões pesados, com taxas entre 25% e 100%, válidas a partir de 1º de outubro. O clima do encontro foi menos tenso que em 2019, mas Trump reforçou cobranças e elogiou Erdogan como “durão”.
Pressão dos EUA sobre a Turquia e mudanças na postura de Trump
Durante o encontro, Trump destacou que a melhor atitude da Turquia seria não comprar petróleo e gás da Rússia, ressaltando o impacto da guerra na Ucrânia, que já teria custado “milhões de vidas”. O presidente americano reforçou críticas ao líder russo, Vladimir Putin, e demonstrou expectativa de que Erdogan use sua influência para pressionar pela paz.
O gás russo representa 41% das importações totais da Turquia. Trump já havia imposto tarifa de 50% sobre a Índia por compras semelhantes e alertou que o Brasil pode ser alvo de medidas, já que 60% do diesel importado pelo país nos últimos quatro anos veio da Rússia.
Recentemente, Trump mudou sua postura em relação à guerra na Ucrânia, passando a criticar Putin e a apoiar Zelensky. Em 2022, a União Europeia obteve cerca de 45% do seu gás da Rússia, taxa que deve cair para 13% este ano.
Tarifas, sanções e acordos comerciais
As exportações turcas aos EUA estão sujeitas à tarifa geral de 15%. Trump afirmou que discutiria tarifas com Erdogan e prometeu buscar ótimos acordos comerciais. Sobre a venda de jatos F-35 e F-16, Trump disse acreditar que Erdogan será “bem-sucedido”. As sanções americanas à Turquia, impostas após a compra de mísseis russos S-400 em 2017, permanecem em vigor, impedindo a aquisição dos caças F-35.
Trump também criticou decisões do governo Biden, como a recusa em vender mísseis Patriot à Turquia, e indicou disposição para negociar.
Relações diplomáticas e repercussões
As relações entre Turquia e EUA estavam tensas sob Biden, mas se acalmaram no segundo mandato de Trump. Ambos os países buscam revitalizar laços de defesa, comércio e diplomacia, agindo com cautela.
Trump iniciou o encontro com Erdogan repetindo alegações de fraude nas eleições americanas de 2020 e mencionou que Erdogan “entende de eleições fraudadas melhor do que ninguém”, em referência à reeleição do turco em 2018, também alvo de acusações de fraude. Erdogan enfrenta críticas por repressão política e prisão de opositores.
Guerra em Gaza e posições divergentes
Trump e Erdogan evitam pressionar um ao outro sobre a guerra em Gaza, onde a Turquia apoia os palestinos e os EUA, Israel. Trump afirmou não saber a posição de Erdogan sobre o conflito, mas disse que líderes do Oriente Médio estão próximos de um acordo para resgatar reféns. O presidente americano rejeita reconhecer o Estado Palestino, alegando que seria uma “recompensa” ao Hamas.
No Brasil, aliados de Bolsonaro temem que Eduardo Bolsonaro prejudique acordos no Congresso ao insistir em anistia ampla, o que poderia desgastar a direita para 2026. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, já sinalizou que não disputará a presidência em meio à fragmentação da direita.