Na véspera da terceira rodada de negociações por cessar-fogo, a Rússia afirmou nesta terça-feira (22) que não há motivos para esperar milagres no encontro com a Ucrânia. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, destacou que a pauta é complicada e não estipulou prazo para um possível acordo. O conflito já dura três anos e ambas as partes mantêm posições opostas quanto às condições para o fim da guerra.
Negociações diretas e impasses entre Rússia e Ucrânia
O canal de negociação entre Ucrânia e Rússia foi aberto após pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que buscava um acordo rápido ao reassumir a Casa Branca. A terceira rodada de conversas está marcada para quarta-feira (23), mas o Kremlin já sinalizou que o encontro pode ser esvaziado, como os anteriores.
Durante coletiva, Dmitry Peskov afirmou que não há razão para esperar avanços milagrosos, ressaltando que as posições dos países são “diametralmente opostas”. Na segunda-feira, ele já havia dito que ambos têm muito trabalho a fazer, referindo-se aos memorandos trocados na segunda rodada, no início de junho.
As exigências da Rússia incluem a anexação dos territórios ucranianos ocupados, desmilitarização da Ucrânia, proibição de armas nucleares e garantia de que a Otan não se expandirá ao Oriente. Essas condições são consideradas inaceitáveis pelos europeus. Por outro lado, a Ucrânia exige a retirada das tropas russas, direito de ingressar na aliança militar e garantias de segurança, como fornecimento contínuo de armas e envio de tropas pacificadoras europeias. Moscou rejeita esses termos, considerando a questão da Otan e tropas estrangeiras como “linhas vermelhas”.
Desconfiança e críticas ao formato das negociações
Os dois primeiros encontros entre Rússia e Ucrânia não trouxeram avanços concretos para um cessar-fogo, resultando apenas em trocas de prisioneiros e cadáveres, além da entrega de memorandos. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, critica o formato atual das negociações, alegando que os representantes russos não têm poder de decisão.
A Rússia, por sua vez, afirma que ainda não é o momento para um encontro direto entre Zelensky e Vladimir Putin, embora Zelensky considere esse diálogo vital para avanços reais. Nesta terça-feira, Zelensky declarou querer “preparar uma reunião” com Putin para “acabar de verdade com a guerra” e anunciou que o ex-ministro da Defesa Rustem Umerov liderará a delegação ucraniana na nova rodada.