Saúde

Casos de transtorno por uso de álcool aumentam no Brasil apesar de queda no consumo

Pesquisa nacional revela crescimento de transtornos ligados ao álcool, especialmente entre adolescentes e meninas

O número de brasileiros que consomem bebidas alcoólicas segue em queda, mas a proporção dos que enfrentam transtorno por uso abusivo de álcool voltou a crescer, alcançando 11,5% em 2023, segundo estudo divulgado pelo Ministério da Justiça nesta quarta-feira (24).

O levantamento, realizado pela Universidade Federal de São Paulo, aponta aumento dos transtornos inclusive entre adolescentes, com destaque para as meninas, mesmo com proibição da venda para menores.

Dados do estudo nacional

O Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad), financiado pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), entrevistou 16.608 pessoas em todo o Brasil. Esta é a terceira edição do estudo, com dados referentes a 2023; as anteriores ocorreram em 2006 e 2012.

O Lenad mostra queda contínua no consumo de bebidas alcoólicas: em 2006, 50,2% dos brasileiros consumiam álcool; em 2012, 47,7%; e em 2023, 42,5%. A redução foi observada em todas as faixas etárias e gêneros. Entre homens, o consumo caiu de 61,5% (2006) para 52,6% (2023). Entre mulheres, de 39,9% para 33,1% no mesmo período. Entre adultos, a queda foi de 52,1% para 44,2%; entre adolescentes, de 33,8% para 19,1%.

A região Sul lidera o consumo: 71,4% dos adultos consomem álcool.

Aumento dos transtornos

Apesar da redução no consumo, a proporção de pessoas com transtorno por uso abusivo de álcool subiu: eram 12% em 2006, 10% em 2012 e 11,5% em 2023. O aumento foi registrado em todas as faixas etárias e gêneros. Entre homens, o índice passou de 18,9% (2006) para 16,2% (2023). Entre mulheres, de 5,7% para 7%.

Impacto entre adolescentes e alerta de especialistas

O estudo destaca o crescimento dos transtornos entre adolescentes menores de 18 anos, cuja venda de álcool é proibida. Em 2006, 8% apresentavam o problema; em 2012, 4,6%; e em 2023, 5,7%. O aumento foi mais expressivo entre meninas: 7,1% delas enfrentam transtornos, contra 5,5% dos meninos.

A psiquiatra Olivia Pozzolo alerta para os riscos do consumo precoce: “O consumo dos menores de idade é extremamente preocupante visto que nessa fase o cérebro está em desenvolvimento. É onde você tem o maior risco em relação a prejuízos de memória, de aprendizado, de controle de funções emocionais”.

Olivia reforça que oferecer álcool a menores é crime e ressalta a importância de pais orientarem os filhos sobre os perigos do álcool: “É importante falar abertamente das consequências do uso do álcool. É importante para esse indivíduo menor de idade criar uma consciência em relação a esse uso”.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Álcool mata 20% mais mulheres em uma década; internações sobem 41%, aponta CISA

Crimes sexuais por adolescentes crescem 25% no Brasil e chegam a 13 por dia

Vape dispara entre adolescentes e já atinge 3 em cada 10 jovens no Brasil

Adolescentes são autores de 1 em cada 3 crimes de abuso sexual infantil

Álcool causa câncer e não há dose segura, alertam especialistas

Internação de adolescentes cai 54% em 9 anos, mas ritmo perde força