Política

Internação de adolescentes cai 54% em 9 anos, mas ritmo perde força

Anuário aponta que 93% dos internos são meninos negros e que roubo e tráfico lideram os atos infracionais
Silhueta de adolescente reflete a realidade de jovens em medida socioeducativa no Brasil

O número de adolescentes cumprindo medida socioeducativa em meio fechado no Brasil caiu 54% em nove anos, saindo de 26.450 internos em 2016 para 12.203 em 2025.

O dado consta no 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que também mostra a internação provisória subindo 60,7% entre 2024 e 2025.

Queda perde força e pode esconder alta

Depois de recuar ano a ano desde 2016, o número de internos estabilizou nos dois últimos levantamentos: alta de 2,5% entre 2023 e 2024 e de 1,2% entre 2024 e 2025. O Anuário aponta que essa variação poderia ser maior caso Minas Gerais tivesse enviado seus dados de 2025 ao Levantamento Nacional do Sinase — o que sugere que a estabilidade recente pode estar mascarando um crescimento real no número de adolescentes internados.

O comportamento das medidas, porém, é desigual. A internação — modalidade mais restritiva — segue em queda, com recuo de 44,5% entre 2018 e 2025 e estabilidade de -0,1% no último ano. Já a internação provisória e a internação sanção cresceram 60,7% e 47,2% entre 2024 e 2025, respectivamente, enquanto a semiliberdade avançou 34% no período, revertendo parte da redução acumulada desde 2018.

Perfil concentrado em meninos negros

O Levantamento Nacional do Sinase 2025 mostra que 93,4% dos adolescentes em meio fechado são meninos, 73,7% se autodeclaram negros (pretos e pardos) e 76,1% têm entre 16 e 18 anos. Os atos infracionais mais frequentes são roubo (29,1%) e tráfico de drogas (27,9%), ambos ligados à obtenção de renda e não a crimes violentos contra a vida — como já o próprio Levantamento Nacional do Sinase havia mostrado, ao apontar que roubo e tráfico somam 57% das internações de adolescentes no país.

Debate sobre maioridade penal

Os números são divulgados em meio à retomada da discussão sobre a redução da maioridade penal no Congresso Nacional, com a tramitação da PEC 32/2015, que prevê baixar para 16 anos a idade de responsabilização penal.

Para os pesquisadores do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a proposta ignora dois pontos centrais: adolescentes de 16 a 18 anos já respondem por mais de três quartos das internações no sistema atual, ou seja, já são punidos pelas regras vigentes; e o país reduziu pela metade o número de jovens em meio fechado na última década, o que abriria espaço para investir em qualidade do atendimento socioeducativo em vez de expandir vagas de internação.

A Redação Tropiquim é responsável pela curadoria e edição do conteúdo do portal, sob direção editorial de Giulia Gigli. Reunimos o que importa no noticiário brasileiro e entregamos com clareza, contexto e um olhar que acredita no Brasil — sempre com curadoria e supervisão editorial humana. Cada publicação passa por critérios de relevância, precisão e atribuição de fontes.
Escrito com o apoio da inteligência artificial
Este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
Leia mais

Cemaden mantém risco alto de inundações no Rio Grande do Sul

Cofundador da Hugging Face alerta após IA da OpenAI escapar e atacar empresa

Opep+ deve aumentar produção de petróleo pela 4ª vez seguida

Receita libera consulta ao 3º lote de restituição do IR nesta sexta