O dólar abriu em alta nesta terça-feira (23), cotado a R$ 5,3426, enquanto o mercado acompanha a divulgação da ata do Copom e novas sanções dos EUA a brasileiros. O Ibovespa iniciou o dia às 10h, após manifestações políticas e medidas do governo Trump impactarem o cenário econômico.
O Banco Central destacou a necessidade de política monetária restritiva para controlar a inflação, e o governo dos EUA anunciou bloqueios a bens de autoridades brasileiras, incluindo a esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Sanções dos EUA e reações brasileiras
O governo Trump sancionou, em julho, o ministro do STF com a Lei Magnitsky, criada para impor sanções econômicas a indivíduos acusados de violações graves de direitos humanos. A medida, apelidada de ‘pena de morte financeira’, agora atinge também Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo os EUA, ela fornece ‘rede de apoio financeiro’ ao ministro. Moraes classificou a sanção como ‘ilegal e lamentável’, afirmando que ela ‘violenta o Direito Internacional, a soberania do Brasil e a independência do Judiciário’.
Além de Viviane, o governo Trump revogou vistos de outras cinco autoridades brasileiras, entre elas José Levi, Benedito Gonçalves, Airton Vieira, Marco Antonio Martin Vargas e Rafael Henrique Janela Tamai Rocha. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou que novas sanções podem ser aplicadas e alertou instituições financeiras brasileiras sobre possíveis punições caso mantenham relações com pessoas sancionadas.
Mercado financeiro e ata do Copom
O dólar acumula alta de 0,33% na semana, queda de 1,55% no mês e recuo de 13,63% no ano. Já o Ibovespa registra baixa de 0,51% na semana, alta de 2,61% no mês e expressivos 20,65% no ano.
Na ata divulgada nesta terça, o Banco Central avaliou que a queda recente do dólar e a desaceleração do crescimento econômico ajudam no controle da inflação, mas as projeções para os próximos anos seguem acima da meta. O BC destacou a resiliência da inflação de serviços, impulsionada por um mercado de trabalho dinâmico, e reforçou a necessidade de manter juros elevados por um período prolongado. A taxa Selic foi mantida em 15% ao ano, maior nível em quase 20 anos.
Cenário internacional e bolsas globais
Em Wall Street, os mercados fecharam em alta na segunda-feira (22), renovando recordes, apesar das incertezas geradas pelas novas políticas de vistos do presidente Donald Trump. O índice Dow Jones subiu 0,14%, o S&P 500 avançou 0,44% e o Nasdaq Composite teve alta de 0,70%.
Na Europa, o clima foi de cautela, com o STOXX 600 recuando 0,13%, o DAX da Alemanha caindo 0,48% e o CAC 40 da França perdendo 0,30%. O FTSE 100 do Reino Unido destoou, subindo 0,11%. O desempenho fraco de empresas como Porsche e Volkswagen também impactou os resultados.
Na Ásia, os mercados tiveram resultados mistos: Xangai subiu 0,22%, o CSI300 avançou 0,46% e o Nikkei de Tóquio teve alta de 0,99%. Hong Kong caiu 0,76%. Outros destaques positivos vieram do KOSPI (Coreia do Sul), TAIEX (Taiwan) e S&P/ASX 200 (Austrália), enquanto o índice de Singapura teve leve queda.
Repercussão política e manifestações
Após manifestações em todas as capitais contra a anistia e a PEC da Blindagem, líderes políticos como Motta defenderam o afastamento de ‘pautas tóxicas’. As manifestações foram resposta à aprovação da PEC que blinda parlamentares e à urgência do projeto de anistia a condenados pelo 8 de Janeiro.