Um levantamento inédito aponta que cerca de 8 mil famílias da agricultura familiar da Amazônia podem fornecer alimentos para a COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém.
O estudo, conduzido pelos institutos Regenera e Fronteiras do Desenvolvimento, prevê que a compra de insumos para o evento pode movimentar R$ 3,3 milhões na economia rural.
O edital da Organização dos Estados Ibero-americanos exige que pelo menos 30% dos ingredientes servidos venham da agricultura familiar, agroecologia e comunidades tradicionais.
Impacto econômico e social
O mapeamento identificou ao menos 80 grupos organizados, incluindo cooperativas, associações e redes produtivas, prontos para atender à demanda da COP30. Segundo os organizadores, o aporte financeiro previsto pode gerar renda, valorizar práticas agrícolas sustentáveis e ampliar a dignidade no campo.
A iniciativa integra o programa “Na Mesa da COP30”, liderado pelos institutos Regenera e Comida do Amanhã, com participação de dezenas de organizações da sociedade civil e apoio de órgãos como o Consea, a CNAPO, o CNPCT e o Centro de Excelência contra a Fome da ONU.
Alimentação e clima
A conexão entre produção de alimentos e mudanças climáticas é central para a proposta. No Brasil, 74% das emissões de gases de efeito estufa estão associadas à agropecuária e ao desmatamento, enquanto no mundo esse percentual é de cerca de 30%.
“Alimentação sustentável não é apenas uma questão de saúde. É uma ferramenta poderosa na luta contra as mudanças climáticas. Trazer a agricultura familiar e a agroecologia para o centro da COP30 mostra que outro modelo de produção é possível e necessário”, afirma Alcântara.
Logística e legado
Para viabilizar o fornecimento, a Conab de Ananindeua (PA) será estruturada como centro de armazenamento e distribuição da produção local durante a conferência. Segundo a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) e a OEI, essa medida pretende deixar um legado que ultrapassa o evento, ampliando a capacidade de atendimento a políticas públicas, como a alimentação escolar, e fortalecendo estratégias de combate à fome.
Alcântara destaca: “Oferecer uma alimentação local, nutritiva e sustentável durante a conferência é um passo fundamental para valorizarmos quem protege a floresta e produz com base em saberes ancestrais. Mas também tem potencial para transformar a Região Metropolitana de Belém em um grande exemplo de como a agricultura familiar pode e deve ser priorizada nas políticas de abastecimento”.