Milhares de israelenses lançaram a campanha “Não à guerra – Sim ao reconhecimento” para pedir à comunidade internacional o reconhecimento formal do Estado da Palestina. O movimento surge antes da Assembleia Geral da ONU, onde países como França, Reino Unido, Bélgica, Canadá e Austrália anunciaram intenção de apoiar a medida.
Com mais de 8.500 assinaturas, a iniciativa é impulsionada por vítimas do ataque de 7 de outubro de 2023 e defende a solução de dois Estados como resposta ao ciclo de violência.
Campanha impulsionada por vítimas e ativistas
Entre os principais apoiadores da campanha está Maoz Inon, empresário do setor de turismo que perdeu os pais no ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. Inon rejeitou a vingança e optou pela reconciliação, tornando-se uma das figuras centrais do movimento. Ele acredita que diálogo, reconhecimento e perdão são essenciais para garantir um futuro seguro na região.
Inon relata que, após anos de “ocupação, opressão e muros”, o ataque não foi uma surpresa. “Nunca imaginei, nem no meu pior pesadelo, que eu pagaria o preço”, afirmou à AFP. Apesar do trauma, ele se dedica a convencer a opinião pública israelense, tarefa que considera difícil.
Segundo pesquisa do Centro de Pesquisas Pew, apenas 21% dos adultos israelenses acreditam na possibilidade de coexistência pacífica entre Israel e um Estado Palestino, o menor índice desde 2013. A campanha já reúne mais de 8.500 assinaturas e pretende alcançar 10.000 para apresentar à Assembleia Geral da ONU. O texto da petição ressalta: “Reconhecer um Estado Palestino não é um castigo para Israel, e sim um passo em direção a um futuro mais seguro e melhor, baseado no reconhecimento mútuo e na segurança para ambos os povos”.
Mobilização e repercussão internacional
A iniciativa foi apresentada pelo movimento cidadão israelense Zazim, que distribuiu milhares de cartazes e instalou um outdoor em Tel Aviv. Raluca Ganea, cofundadora do movimento, destacou que após o ataque de outubro, ficou claro que a doutrina de administrar o conflito havia desmoronado. Segundo ela, restam duas opções: “A destruição total e aniquilação do outro lado, ou a solução de dois Estados”.
A situação em Gaza deve dominar a Assembleia Geral da ONU, quase dois anos após o início da ofensiva militar israelense. Países como França, Reino Unido, Bélgica, Canadá e Austrália já anunciaram intenção de reconhecer o Estado palestino durante o evento.
Ganea acredita que o reconhecimento seria um passo para acabar com a “desumanização” dos palestinos, especialmente em Gaza, ao garantir-lhes o mesmo status das demais nações. Inon defende que o reconhecimento deve ser acompanhado de medidas concretas, como sanções a quem se opõe à solução de dois Estados.
Outro apoiador, Yonatan Zeigen, que perdeu a mãe, Vivian Silver, ativista pela paz, no ataque de outubro, afirma: “O único futuro sustentável e viável é que ambos os povos compartilhem a terra. A libertação palestina e a segurança israelense dependem de que os palestinos obtenham seus direitos básicos”.
Apesar do movimento, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu mantém a posição de que “não haverá Estado palestino”. Membros de extrema-direita do governo seguem promovendo a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada para impedir essa possibilidade.