A Petrobras confirmou em setembro de 2025 a intenção de retomar a distribuição de gás de cozinha no Brasil. O objetivo é ampliar sua presença no setor e buscar preços mais competitivos ao consumidor.
Ainda sem data definida para início, a medida está em fase de estudo e planejamento estratégico, podendo mudar a dinâmica do mercado de GLP.
Motivações e histórico da Petrobras no setor
A decisão da Petrobras de voltar ao mercado de distribuição de gás de cozinha ocorre após a venda da Liquigás, em 2020, durante o governo Jair Bolsonaro. O negócio, avaliado em cerca de R$ 4 bilhões, foi parte da estratégia de desinvestimento e foco na exploração de petróleo. No entanto, a estatal agora busca atuar em negócios rentáveis e parcerias, conforme comunicado oficial, destacando que o plano ainda é embrionário.
A volta acontece em meio a críticas do governo federal ao alto preço do botijão. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a diferença entre o valor do gás na Petrobras (R$ 37) e o preço final ao consumidor, que pode chegar a R$ 140 em alguns estados.
Impactos para o consumidor e formação de preços
Especialistas divergem sobre o potencial de redução do preço do botijão. Eric Gil Dantas, do Ibeps, cita estudo mostrando crescimento de 188% nas margens das distribuidoras entre 2020 e 2023, sugerindo espaço para queda de preços. Já Bruno Benassi, da Monte Bravo, alerta que a redução pode comprometer a rentabilidade da estatal.
O preço médio do botijão de 13 kg é de R$ 107,49 no Brasil, com impostos e margens de distribuição e revenda compondo o valor. Quatro empresas concentram 88,3% do mercado, segundo a ANP: Copa Energia, Ultragaz, Nacional Gás e Supergasbras.
Concorrência e reação do setor
O anúncio surpreendeu distribuidoras e revendedoras, mas o Sindigás afirmou que a entrada da Petrobras não representa ameaça significativa à concorrência, desde que siga as mesmas regras de mercado. “O período em que a Liquigás fazia parte do setor foi considerado saudável para todos”, disse o presidente do sindicato, Sérgio Bandeira de Mello.
Analistas como Sérgio Bandeira e Ilan Arbetman avaliam que o impacto dependerá do modelo de atuação da estatal. Caso a Petrobras avance para venda direta ao consumidor, pode alterar radicalmente o mercado. Max Bohm, da Nomos Investimentos, vê a decisão com preocupação, interpretando-a como um passo político que pode afetar a rentabilidade da empresa.
O Citi calcula que a retomada completa da Petrobras no setor pode exigir até US$ 7 bilhões em investimentos, considerando barreiras contratuais e a necessidade de aquisições. A estatal pode atuar em conjunto com atuais distribuidores, ampliando a oferta e a competitividade, mas ainda não há definição sobre venda direta ou apenas distribuição.