Trabalhadores da construção civil e do setor mobiliário de Belém, Ananindeua e Marituba iniciaram greve por tempo indeterminado nesta terça-feira (16), afetando obras públicas, inclusive as da COP 30. O sindicato aponta adesão de cerca de 5 mil operários. A Secretaria de Estado de Obras Públicas, porém, garante que os projetos seguem conforme o cronograma.
Reivindicações dos trabalhadores
O movimento grevista liderado pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Brasília (STICMB) envolve demandas por reajuste salarial acima do proposto, melhores condições de trabalho, promoção de mulheres no setor e pagamento de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) em duas parcelas de R$ 378. A paralisação ocorre após rejeição da proposta patronal de 5,5% de reajuste e aumento de R$ 10 na cesta básica, considerados insuficientes pelo sindicato.
Os trabalhadores reivindicam ainda o valor de R$ 270 para a cesta básica, número que contrasta com o cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que aponta o custo da cesta básica em R$ 687,30.
Impacto nas obras da COP 30
Segundo o STICMB, a greve afeta obras do setor hoteleiro, da Vila COP 30, onde chefes de Estado devem ser hospedados, e do Parque da Cidade, principal palco das negociações internacionais. Apesar disso, a Secretaria de Estado de Obras Públicas (Seop) declarou que as obras seguem normalmente, sem alteração no cronograma oficial.
Mobilização e andamento das obras
A passeata dos trabalhadores começou na manhã de terça-feira (16), com concentração na sede do STICMB, na Travessa 9 de Janeiro, em Belém. O sindicato afirma que a mobilização continuará até que as reivindicações sejam atendidas.
O Parque da Cidade, fechado ao público desde agosto, está recebendo estruturas para abrigar a Blue Zone e a Green Zone, esta última voltada à sociedade civil. A Vila COP 30, construída no bairro Marco, próxima ao Hangar e ao Parque da Cidade, está com 29% das obras concluídas em abril de 2025 e previsão de entrega para novembro do mesmo ano, pouco antes da conferência. Após o evento, o espaço será transformado em centro administrativo do governo estadual.