O preço da carne bovina segue alto no Brasil e pode aumentar nos próximos meses, segundo especialistas. A demanda interna, exportações intensas e custos elevados de produção influenciam a tendência. Cortes como contrafilé, alcatra e filé mignon estão entre os que mais encareceram, tornando a carne menos acessível para grande parte da população.
Principais cortes com alta de preço
Entre os cortes que mais subiram estão contrafilé, alcatra e filé mignon, preferidos dos consumidores e que sofrem maior pressão de demanda. Cortes populares como acém, peito e músculo também tiveram aumentos expressivos no último ano.
Inflação dos cortes bovinos em 12 meses
Segundo o IBGE, a carne bovina acumulou inflação de 22,17% no período. Os aumentos mais marcantes foram: acém (29,1%), peito (27,4%), músculo (24,6%), paleta (24%), costela (23,6%), alcatra (23,5%), lagarto comum (23%), patinho (22,1%), chá de dentro (21,7%), contrafilé (21,4%), capa de filé (21,4%), lagarto redondo (19,8%), filé-mignon (19,1%), cupim (17,2%), fígado (15,6%) e picanha (12,1%).
Fatores que pressionam os preços
Além da demanda, os custos de produção, como alimentação do gado e logística, e a valorização do dólar, contribuem para manter os preços elevados. As exportações seguem aquecidas, mesmo após o tarifaço dos Estados Unidos. Em agosto, os EUA caíram para a quinta posição entre os maiores compradores, atrás de China, México, Rússia e Chile. O México se destacou, com o Brasil exportando três vezes mais carne para o país de janeiro a julho em relação ao mesmo período de 2024.
Perspectivas e impacto social
A previsão da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) é de que o volume exportado em 2025 seja 12% maior que em 2024. Segundo Fernando Henrique Iglesias, do Safras & Mercados, a rápida adaptação a novos mercados mantém parte da produção voltada ao exterior, reduzindo a oferta interna e sustentando os preços elevados.
Especialistas apontam que pequenas quedas recentes não aliviam o consumidor. A expectativa é de alta nos preços no último trimestre, impulsionada pelo aumento do consumo nas festas de fim de ano e pelo 13º salário. A oferta de bois para abate deve cair em 2026 e 2027, enquanto os Estados Unidos também enfrentam restrição de oferta, o que pode elevar ainda mais os preços.
O economista André Braz, da FGV, afirma que a carne bovina subiu mais que os salários, tornando-se menos acessível. Fernando Iglesias destaca que a proteína bovina está se tornando um alimento para os mais ricos, enquanto a maioria da população deve consumir mais carne suína e de frango, alternativas mais baratas e nutritivas.