Ex-funcionários da Meta denunciaram ao Congresso dos EUA, nesta terça-feira (9), que a empresa ocultou estudos internos sobre riscos à segurança infantil em plataformas de realidade virtual, como Horizon Worlds.
Segundo os relatos, dados e pesquisas que apontavam vulnerabilidades para crianças e adolescentes foram filtrados ou barrados por advogados da companhia.
A Meta nega as acusações e afirma que trabalha continuamente para aprimorar as proteções aos usuários mais jovens.
Denúncias e pressões internas
Seis pesquisadores e ex-funcionários afirmam que a equipe jurídica da Meta atuou para filtrar, editar e, em alguns casos, bloquear investigações sensíveis sobre segurança infantil. Segundo eles, havia uma tentativa deliberada de “estabelecer uma negação plausível” sobre os efeitos negativos das plataformas de realidade virtual em jovens usuários.
Documentos internos obtidos pelo The Washington Post mostram que, após o vazamento de informações por Frances Haugen, a empresa passou a impor normas rígidas para pesquisas sobre temas como infância, gênero, raça e assédio. Pesquisadores eram orientados a evitar termos como “ilegal” ou afirmar que algo “viola” leis específicas.
Apesar das restrições, funcionários alertaram repetidamente que menores de 13 anos conseguiam burlar as limitações de idade para acessar os serviços de realidade virtual da companhia. Em 2017, um funcionário estimou que, em certas salas virtuais, 80% a 90% dos usuários eram menores de idade.
Declarações em audiência
Na audiência no Senado, a ex-pesquisadora Cayce Savage declarou: “A Meta está ciente de que sua plataforma de VR está cheia de menores de idade. A Meta ignora deliberadamente esse conhecimento, apesar de ser óbvio para qualquer pessoa que use seus produtos”.
O pesquisador Jason Sattizahn afirmou que “estava muito claro que a Meta é incapaz de mudar sem ser forçada pelo Congresso”.
Resposta da empresa e repercussão
A Meta negou as acusações, classificando-as como uma “narrativa predeterminada e falsa” baseada em exemplos selecionados, segundo a porta-voz Dani Lever. A empresa afirma levar a segurança dos usuários a sério e diz estar constantemente trabalhando para melhorar suas proteções.
A gigante das redes sociais, dona de Facebook, Instagram e WhatsApp, é líder no setor de realidade virtual com a linha de dispositivos Quest, mesmo registrando perdas financeiras nesse segmento.
As denúncias reacendem o debate sobre a responsabilidade das big techs na proteção de crianças e adolescentes em ambientes digitais e podem pressionar o Congresso dos EUA a adotar medidas regulatórias mais rígidas para o setor.